Odebrecht entregou quatro mil cadeiras a menos em Itaquera. Corinthians ajudou a encobrir

Ricardo Corregio e Roberto Andrade em Itaquera

Ricardo Corregio e Roberto Andrade em Itaquera

Em setembro de 2014, o Corinthians anunciou que, em atendimento às solicitações das torcidas “organizadas”, retiraria os assentos do setor Norte do estádio em Itaquera.

Tratava-se, porém, de discurso para faturar politicamente com um desvio de conduta da Odebrecht, encoberto pelo clube.

A construtora entregou a obra com quatro mil cadeiras a menos do que as previstas em contrato.

Para se precaver em caso de necessidade, atender ao pedido dos Gaviões da Fiel caiu como uma luva para os dirigentes alvinegros, ajudando a esconder a falta de reposição.

O prejuízo do Corinthians (que é cobrado pela totalidade da construção) pode atingir, somente neste episódio, R$ 700 mil (cada assento é avaliado em R$ 175), mas acaba por se tornar incalculável, levando-se em consideração que o ingresso cobrado no setor, desde a retirada das cadeiras, sofreu decréscimo de valor.

Investigações da “Operação Lava-Jato”, talvez, possam identificar que destino a Odebrecht deu ao dinheiro recebido indevidamente.

Voltando à desculpa de atender pedido das ‘organizadas”, a verdade é que, logo após o clássico contra o Palmeiras, realizado dias antes, o clube se deu conta de que não haveria material suficiente, de reserva, para repor os prejuízos ocasionados quando torcedores adversários quebrassem cadeiras (como ocorrido nesta partida) ou noutro incidente qualquer da Arena.

As quatro mil cadeiras eram previstas exatamente para servir de estoque.

Ontem, na rádio Estadão, o diretor da Odebrecht, Ricardo Corregio (estreitamente ligado ao presidente Roberto “da Nova” Andrade) mentiu ao dizer que a obra havia sido entregue, na totalidade, ao Corinthians, relatando ainda que os problemas estruturais revelados pela imprensa eram pontuais.

O engenheiro afirmou também que alguns “acabamentos” reclamados não são de responsabilidade da construtora, mas sim de parceiros que, eventualmente, venham a se utilizar dos espaços sublocados.

A diretoria do Corinthians, em vez de brigar pelos direitos assegurados ao clube pelo acordo inicial,  assinou atestado de conivência com a Odebrecht, fornecendo aval a alterações contratuais lesivas ao Timão e ao documento de avanço do empreendimento, dando por concluído o estádio mesmo sabedora de que faltavam, no mínimo, mais R$ 100 milhões em ajustes.

Vale lembrar que todos os desvios foram informados pela primeira auditoria (inclusive sobre o problema das cadeiras) e, em vez de cobrar a empresa, os presidentes do Corinthians (“ex” e o atual) ajudaram a encobri-los.

EM TEMPO: Leia, é importante ! “A água que vazou sob a Arena Corinthians” http://blogdojuca.uol.com.br/2016/11/toda-agua-que-vazou-sob-a-arena-corinthians/

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