Se não bastasse Itaquera, Corinthians vive clima politicamente explosivo

Patrocínio: se o do Flamengo já deu confusão, o do São Paulo pode fazer cair o marketing do Corinthians

Da FOLHA

Por JUCA KFOURI

PENSE EM Andrés Sanchez no papel de Eduardo Cunha. Em conselheiros corintianos da mesma estirpe dos deputados fichas sujas que respaldam a ideia e num presidente fraco como Roberto de Andrade.

Você tem o quadro atual nas alamedas do Parque São Jorge em ebulição.

Por falsidade ideológica querem o impeachment de Andrade, que teria assinado, 48 horas antes de ser eleito, um contrato que favoreceu a Odebrecht como se já fosse o presidente, segundo revelou o repórter Rodrigo Capelo, da revista “Época”.

Andrade se defende e diz que assinou depois, que apenas a data é anterior, mas que ao chegar às suas mãos já estava no cargo.

Se foi antes ou depois, se pedalou ou não, a exemplo de outra situação que nos é familiar, fato é que Andrade não agrada mais seu inventor Sanchez, brigou com ele e está perigosamente isolado.

Para sobreviver até indicou para cuidar do futebol o ex-jornalista Flávio Adauto, que o criticava e é do grupo de um dos conselheiros que trabalham pelo impeachment, apelidado no clube de “171 do Vale do Paraíba”, que sonha em administrar o estádio.

Se na República assumiu o inelegível, pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, Michel Temer, no Corinthians assumiria o ex-bicheiro André Negão, vice-presidente do clube que foi detido e acusado pela Operação Lava Jato de receber propina de R$ 500 mil da Odebrecht.

Some-se ao quadro político os problemas que se avolumam no estádio, um vazamento de mais de 10 milhões de litros d’água que dentro da Sabesp há quem calcule ser o dobro, além dos constantes descolamentos de placas e acúmulo de água na cobertura; adicione o trabalho de uma auditoria que não avança porque a Odebrecht, que é contratada, mas também contratante por fazer parte do fundo que administra a arena, graças a um aditivo assinado ainda por Sanchez no início das obras, não fornece as informações ao alegar que não respeita a competência dos auditores; acrescente a intenção do Corinthians de, ao constatar obras que não foram entregues e obras mal acabadas, abater substancialmente a dívida com a Odebrecht, que pisa em ovos para não prejudicar a delação premiada de seus proprietários e diretores em Curitiba, para juntar as peças de um quebra-cabeças que compõe a volta aos velhos tempos do Corinthians, tempos que pareciam enterrados depois da queda de Alberto Dualib.

Só falta perder depois de amanhã para o São Paulo no Morumbi, porque, como se sabe, é nos gramados que o incêndio se alastra, pois o torcedor comum dá mais importância ao jogo do que todo o resto, embora, no caso, o “todo o resto” é que seja fundamental para o futuro do clube e, obviamente, do futebol do time.

Cartolas jamais gozaram de credibilidade na sociedade brasileira, assim como quase sempre aconteceu com os políticos, com as honrosas exceções de praxe.

De uns tempos para cá as empreiteiras passaram a frequentar, sem trocadilho, a mesma vala.

A eventual queda do presidente do clube neste momento fará a emenda pior que o soneto.

Como recentemente perguntou o juiz Sergio Moro sobre o país, aguentará o Corinthians tremenda confusão?

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