O marketeiro Pep Guardiola

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Do BLOG DO MARCELO SENA

O marketeiro Pep Guardiola

Em entrevista ao programa “Aqui com Benja”, da Fox Sports, Vanderlei Luxemburgo voltou a  brindar os  telespectadores com todo o seu conhecimento sobre futebol.Dentre as frases mais importantes, destaco a de maior repercussão:

– Guardiola é mais marketing do que técnico. O que é a conquista? O Guardiola ganhou no Barcelona as conquistas dele. Aí veio o Fernández… Luis Fernando, né? Luis Enrique. Também ganhou. Aí o Guardiola vai para o Bayern, se prepara, faz todo o curso, aprende o idioma e não consegue realizar o mesmo trabalho. E aí o anterior dele lá, que tinha 70 anos (Jupp Heynckes tinha 68 anos na época) – brinco muito disso de ultrapassado porque foi campeão da Tríplice Coroa com 70 anos – ganhou. E o Guardiola não ganhou e onde tinha o melhor elenco e investiu naquilo ali. Se pegar o Ancelotti, foi campeão no Milan, Real Madrid, entendeu? São trabalhos diferentes. O Guardiola para mostrar que é o melhor vai ter que ganhar noManchester City, Bayern, nesses lugares – disse.

Bem, vamos esmiuçar os pontos mais importantes. Nesse caso, conquista não precisa ser necessariamente vencer a UEFA Champions League.  Quando o Bayern contratou Guardiola, o principal objetivo não era conquistar títulos.

O livro Guardiola Confidencial, escrito pelo jornalista catalão Martí Perarnau, mostra que o objetivo do Bayern ao contratar o treinador era a renovação do futebol praticado pelos bávaros.

“Estamos na terceira fase da renovação do futebol do Bayern de Munique.” A frase é de Paul Breitner, ídolo do Bayern e do Real Madrid. Breitner explica as diferentes etapas dessa renovação e volta ao final dos anos setenta: “Durante décadas, o Bayern jogou com o mesmo sistema. Com o técnico Pál Csernai, Kalle e eu começamos a jogar da forma como o Bayern jogou até 2008: podemos chama-lá de um 4-1-4-1, 4-2-4 ou 4-4-2, mas na verdade é sempre a mesma proposta tática com alguns movimentos diferentes. Este sistema já caducou. No século XXI, faz parte do passado”.

O Bayern entendeu que precisava haver uma mudança, mas não sabia exatamente como. Breitner relata como o Bayern chegou a conclusão de qual mudança precisava:

“Sabíamos que hoje em dia só poderíamos ganhar títulos com o futebol que o Barcelona pôs em prática.”

“O Barça começou a jogar como um time de basquete: com movimentação intensa e mudanças de ritmo, alternando posições, com posse de bola… Chegava a até cinco horas de posse de bola em 90 minutos.”

“O futebol moderno é  assim, e talvez continue sendo assim o futebol da próxima década até que se implemente uma nova ideia. Como podíamos mudar nosso futebol antiquado pelo futebol de hoje? Com Louis van Gaal. E foi uma ideia acertada, porque renovou totalmente o nosso sistema.”

Segundo Paul Breitner, Van Gaal representou a primeira fase  da evolução no jogo do Bayern: “Ele fez a equipe jogar com posse de bola e alterou alguns movimentos. Começamos a praticar o jogo  de posição em vez do estilo clássico do Bayern. Mas as posições eram fixas. Cada jogador tinha seu lugar, seu círculo de influência e só. Não podia e não devia sair desse círculo. Foi assim que começamos a jogar focados em passar a bola entre nós. Chegamos a fazer partidas com 80 por cento de posse de bola, mas sem ritmo. Éramos muito lentos. Todo mundo na Allianz Arena começava a bocejar a partir de meia hora de jogo, porque passávamos a bola sem ritmo. Os 71 mil espectadores sabiam, em cada momento, o que ia acontecer. Era um jogo correto, mas muito previsível”.

A segunda fase foi liderada pelo “ultrapassado” (segundo Luxemburgo) Jupp Heynckes: “Ele manteve o sistema do Van Gaal, mas mudou o conceito de apenas manter a bola. Viu que a ideia era boa, mas que era necessário desenvolvê-la com velocidade, com mudanças de ritmo. Precisou de dois anos para implantar sua filosofia.  Conseguiu no segundo turno do último campeonato, que ganhamos com recorde de pontos [a temporada 2012/2013]. No primeiro turno, de agosto a dezembro, ainda foi preciso corrigir movimentos; mas, nas primeiras partidas do segundo turno, em janeiro e fevereiro, a equipe já tinha o ritmo desejado e um jogo completamente diferente do início”, explica Breitner.

Guardiola foi o escolhido para liderar a terceira etapa: “Exatamente. Heynckes ainda jogava com posições fixas, mas em alta velocidade e com o objetivo de marcar muitos gols. Não queríamos só a posse de bola, a ideia era marcar muitos gols. Agora, com Pep, já passamos à alternância de posições, à circulação constante de bola, à movimentação contínua dos atletas. Estamos a caminho de jogar como o Barça de dois ou três anos atrás, que jogou melhor do que nunca”.

A explicação de Paul Breitner aconteceu quando Guardiola foi apresentado como novo técnico do Bayern em 2013.

No fim da temporada 2015/2016, Pep deixou o Bayern com um aproveitamento de 75,16%. Em 161 partidas, venceu 121, empatou 21 e perdeu 19. Conquistou 3 vezes a Bundesliga, 2 vezes a Copa da Alemanha, venceu a Supercopa da UEFA e o Mundial de Clubes. Não venceu a Supercopa da Alemanha.

Como o próprio Vanderlei falou em sua participação no programa Bem Amigos, tem que olhar para o trabalho, e não apenas para o resultado.

Na minha opinião, Guardiola fez um bom trabalho no Bayern. Deixou um legado interessante para o seu sucessor Carlo Ancelotti e conseguiu cumprir a sua principal missão em Munique: concluir a terceira etapa do processo de renovação do futebol praticado pelo Bayern de Munique.

E com relação ao Vanderlei dizer que o Guardiola é mais marketing do que técnico, já bati nele demais aqui no blog, vou deixar o coitado em paz.

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