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José Trajano e ESPN Brasil

trajano

A demissão do jornalista José Trajano, de ESPN Brasil, ocasionou repercussão digna da importância do profissional, não apenas no meio em que militava (esportivo), mas em todos os segmentos da profissão.

O público também reagiu, deixando o assunto, por horas, entre os mais comentados do twitter.

Trajano é dos grandes nomes da história do jornalismo, seja por sua atuação diante das câmeras, microfones de rádio ou coluna de jornal, como nos bastidores, em que consolidou a ESPN Brasil (que surgiu da TVA Esportes) num período em que ninguém tinha a menor noção de como agir no âmbito da tv a cabo.

A emissora, desde então, é referência de credibilidade, de bom jornalismo, e, até outro dia, da liberdade de expressão.

Pode-se questionar, divergir duramente e até incomodar-se com o jeito turrão de Trajano, mas, mesmo seus inimigos e detratores mais ferrenhos nunca, em momento algum, tiveram coragem de duvidar da honestidade de seus pensamentos, colocações e procedimentos.

Com a saída do jornalista, a ESPN empobrece, num processo de “MTVzação” que já vinha, de algum tempo, trocando profissionais com postura mais séria, opiniões fortes, por quadros e programas de pouca relevância, apresentados por “Zés Sorrisinhos”, esquecíveis ao primeiro zapear de controle remoto.

Os que sobraram estão sob sério risco de levarem, em breve, consigo, o que resta da essência de um canal que foi, outrora, apelidado por este espaço como “Oasis” da imprensa esportiva nacional.

Óbvio que a demissão de Trajano não se deu por “cortes de despesas”, como, lamentavelmente, a ESPN tenta enganar seu telespectador, mas porque o jornalista, oriundo de tribunas mais livres (inclusive a própria emissora), ousou se contrapor a regras de cerceamento de opinião impostas, a fórceps, em seus funcionários.

Não se pode mais falar de política na emissora.

A bem da verdade, em nossa opinião, Trajano, de fato, ultrapassou limites quando, ao vivo, leu pequeno Editorial contra a postura da própria casa, no episódio em que a ESPN levou ao ar entrevista com o comediante Danilo Gentili.

Este é o verdadeiro motivo da demissão, que acentuou-se, depois, com a negativa de assinar documento impeditivo de opinião política, a gota d’água.

Errou Trajano no episódio de Gentili, mas, ainda assim, foi verdadeiro com seus pensamentos.

Se tanto, mereceria, talvez, advertência da ESPN, nunca, em hipótese alguma, o desligamento, não apenas pelo profissional que é, mas pelo que se doou na construção de uma emissora que ainda sobrevive do prestígio que o jornalista a ela emprestou.

A vida seguirá, Trajano, ao redor de seus 70 anos permanecerá grande, terá trabalhos relevantes pela frente, enquanto, pelo que se vê no momento, o canal dos ‘fãs de esporte”, que outrora foi referência na profissão (citada em todos os cursos de faculdade do Brasil) se continuar trocando jornalismo por entretenimento, tenderá a repetir o destino de quem agora, inadequadamente, utiliza como exemplo de comportamento televisivo: a MTV Brasil, falida exatamente porque algum gênio sugeriu mudanças que descaracterizaram o canal perante milhares de seguidores fiéis de seus programas.

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