O encerramento das Olimpíadas

14 bis olimpíadas

Em festa mais comedida do que a abertura, mas ainda assim de boa qualidade, os Jogos Olímpicos do Brasil foram encerrados, ontem, no Maracanã.

Esportivamente, deixarão saudades.

Testemunhamos a história sendo escrita, com os magníficos desempenhos de duas lendas do esporte: Usain Bolt imortalizou-se com o tri-campeonato olímpico (100m, 200m e 4x100m), corredor que dificilmente será superado, assim como o tubarão Michael Phelps e suas seis medalhas (cinco de Ouro), ambos gênios absolutos, inesquecíveis.

Houve também o nascimentos de prováveis novos fenômenos, com a americana Simone Bales, na ginástica, além da consagração doutros, entre os quais o francês do Judô.

O Brasil comemora sua evolução em números no quadro de medalhas, aquém da meta sugerida, muito pouco para quem organizou os Jogos.

Sem política esportiva, voltou a depender da capacidade bruta de alguns talentos e de grande colaboração das Forças Armadas, que fizeram o que as Confederações, mais preocupadas em remunerar dirigentes, nunca foi capaz de efetuar.

Isaquias Queiroz, da canoagem, que antes do Jogos escancarou em mídia social seu desespero com a falta de apoio, superou-se, conquistou três medalhas (duas de prata e uma de bronze) numa única edição olímpica (uma delas com Erlon de Souza), em sua primeira olimpíadas, feito inédito até então.

O Ouro reluziu para o corajoso Thiago Braz (que junto com Isaias é candidato a Mito) no salto com vara (outro sem apoio da Confederação), para a lutadora judoca Rafaela Silva, para o improvável campeão Robson Silva, aos geniais Alison e Bruno Schmidt no Volei de Praia, voltou ao DNA Grael, com as espetaculares Martine Grael e Kahena Kunze (na Vela), para os jogadores de Rogério Micale no futebol masculino, e, por fim, no emocionante Vôlei masculino.

Destaque também para a Prata redentora de Diego Hypólito (ginástica) acompanhado do Bronze de Arthur Nory, doutra Prata, histórica, de Felipe Wu (tiro), do ex-medalhista de Ouro, Arthur Zanetti (argolas), ao bronze de Rafael Silva, o Baby, e Mayra Aguiar, no Judô, de Polyana Okimoto, na maratona aquática, à prata de Ágatha e Bárbara, no vôlei de praia e o bronze, também improvável, de Maicon Siqueira, no Taekwondo.

Na organização dos Jogos, há razões para críticas severas, mas também alguns surpreendentes elogios.

Nossos problemas habituais referentes a falta de organização se fizeram presentes em todos os eventos: filas mal conduzidas para entrada de público, banheiros imundos e insuficientes, comida de má-qualidade a preços exorbitantes, etc.

Em contrapartida, a segurança dos Jogos, principal preocupação antes do início, atuou como em países de primeiro mundo, reforçada por efetivo grandioso da PM de São Paulo (quase 4,5 mil homens), com auxílio das Forças Armadas e da silenciosa, porém eficiente parceria com o FBI americano.

Dois fatos, relacionados ao público, foram constrangedores para o evento: o fracasso retumbante da comercialização de ingressos (boa parte doada pela Organização) que deixaram arenas e estádios (tirando um ou outro evento), quase vazios e a má-educação habitual do brasileiro, tratando Jogos Olímpicos como se fossem peladas da Rocinha.

Entre os torcedores educados, porém, foram arrebatadoras as demonstrações de carinho aos atletas, tanto os nacionais quanto alguns estrangeiros, principalmente Usain Bolt, espécie de herói mundial.

Resta-nos agora, após as Olimpíadas, enfrentar a dura realidade da corrupção encoberta, até então, pelo noticiários do evento.

Superfaturamentos, desvios de verba, propinas e demais assaltos ao bolso da população deverão ser ainda maiores do que os do Pan e da Copa do Mundo, recém realizadas no Brasil, que ainda lutam para ver seus ladrões na cadeia, apesar de boa parte deles ainda, impunes, continuarem a dar as cartas em seus respectivos negócios.

A tarefa, da polícia, da imprensa e da população será tão árdua quanto a dos atletas medalhistas, porém com bem menos possibilidades de vitória, mas, ainda assim, com espírito olímpico, a ela nos aplicaremos nos meses que estão por vir.

Voltando à cerimônia de encerramento, o Brasil passou, com simpatia, o bastão para o Japão, que receberá o mundo em 2020… será que nosso desempenho, fora de terras tupiniquins, se manterá, ao menos, neste patamar (que sequer é suficiente) ou a oportunidade de estímulo à política de pratica esportiva, seja ela de rendimento ou não, ficará esquecida nas gavetas de nossos dirigentes, embaixo dos tradicionais envelopes de conteúdos quase sempre inconfessáveis ?

Quem viver, verá.

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