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Trump: candidato da Muralha

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EDITORIAL DA FOLHA

Ainda não surgiu uma explicação convincente para a ascensão do bilionário Donald Trump ao posto decandidato do Partido Republicano à Presidência dos EUA.

Desde 1981, políticos da sigla comandaram o país por mais tempo (20 anos) do que rivais do Partido Democrata (16 anos). Foram republicanas duas das administrações que mais legaram efeitos duradouros aos Estados Unidos e ao mundo.

Ronald Reagan (1981-89) foi o vértice do consenso liberal e privatizante que ajudou o país a desfazer os nós da estagnação e da inflação, a retomar a prosperidade e a consolidar sua hegemonia financeira.

A controvertida gestão George W. Bush (2001-2009) relançou campanhas maciças das Forças Armadas, como não se via desde o fiasco da Guerra do Vietnã, 30 anos antes. Reafirmou a supremacia da superpotência, mas onde interveio abriu feridas que custam a cicatrizar.

Por que esse partido, enraizado na sociedade e origem de lideranças tão marcantes na história recente, deixou-se atropelar por um outsider como Donald Trump?

À diferença de Reagan, Trump não é liberal nem favorece o comércio. Defende o fechamento da economia e a revisão de acordos comerciais com outros países e blocos.

O expansionismo bélico de Bush tampouco encontra guarida em Trump. Ele fala em cobrar dos países em que há presença militar americana. Põe em dúvida o cumprimento de obrigações pelos EUA no âmbito da aliança militar do Ocidente, a Otan.

O candidato republicano completa sua plataforma com um discurso xenófobo —associa imigrantes a criminosos e terroristas— absolutamente inusual para as disputas majoritárias nos EUA ao longo das últimas décadas. Sua proposta mais estrambótica é a construção de uma muralha ao longo da fronteira com o México.

O populismo nacionalista, e seu cacoete de eleger bodes expiatórios para o que propagandeia ser o empobrecimento das classes trabalhadoras do país, chega muito perto do cargo mais poderoso do planeta.

Trump canta um país decadente, com os valores da maioria branca ameaçados pela imigração e pela afronta à lei e à ordem. Põe-se no papel do restaurador, descompromissado com as elites que parasitam a população, capaz de fazer a “América grande novamente”.

Tudo é delírio, a começar da ideia de que os EUA, que acabam de mostrar sua força ao saírem da crise global antes dos outros países ricos, estariam em declínio.

Trump, no entanto, já deu provas de que não prega no deserto. Há uma massa de descontentes na qual seu discurso ecoa. Em novembro esses eleitores vão descarregar no outrora improvável candidato republicano dezenas de milhões de votos.

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