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Merenda problemática

capez marin del nero

EDITORIAL DA FOLHA

O fornecimento de merenda escolar por parte do governo Geraldo Alckmin (PSDB) tem sido fonte abundante de escândalos e irregularidades. De suspeitas de corrupção a problemas de qualidade e higiene, não são poucos os episódios desabonadores que vieram a público recentemente.

Dias atrás, o Tribunal de Contas do Estado de São Paulo inspecionou 200 escolas paulistas, a grande maioria sob a administração estadual ou a ela conveniada.

Afora episódios isolados, mas não menos lamentáveis, como a presença de pombos em uma despensa e de um escorpião em uma cozinha, o relatório registra que 38% dos colégios estaduais não possuem condições adequadas para fornecer merenda aos alunos.

Pior, nada menos que 87% deles não têm alvará do Corpo de Bombeiros e 91% não dispõem do documento da Vigilância Sanitária. O governo paulista tem agora 15 dias para dar esclarecimentos. Não são os únicos que necessita prestar.

O mesmo TCE tem cobrado explicações da gestão Alckmin sobre os colégios que começaram o ano letivo distribuindo a seus alunos bolacha e leite em vez do prato com arroz, feijão, carne e salada.

Paira ainda sobre o governo estadual o chamado escândalo da merenda. A Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou recentemente a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso. A iniciativa representa antes uma resposta à pressão popular e da opinião pública do que um real empenho em levar adiante as investigações.

Mesmo assim, em tese, a CPI deveria reforçar as averiguações que vêm sendo realizadas pelo Ministério Público e pela Polícia Civil. Tudo leva a crer, porém, que a ampla base de apoio do governo tucano na Alesp, que já agiu como pôde para evitar a instalação da comissão, cuidará de esvaziá-la.

Será lamentável se tiverem êxito. Suspeita-se de superfaturamento em contratos para o fornecimento de suco de laranja para dezenas de cidades e para a Secretaria Estadual da Educação. Eles seriam garantidos por propinas que oscilavam de 10% a 30% dos valores acertados, segundo já se apurou.

Investigados implicaram membros do governo Alckmin, além de deputados federais e estaduais -entre eles, Fernando Capez (PSDB), presidente da Alesp.

Há motivos suficientes, portanto, para que Geraldo Alckmin demonstre, com ações práticas, seu firme interesse em ver todos esses episódios esclarecidos.

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