CPI das “organizadas”: facções saem elogiadas e com revindicações atendidas

Vergonha

As facções “organizadas” que travestem-se de torcedores e infernizam quem, de fato, quer assistir partidas de futebol em São Paulo nadaram de braçada na CPI que, em tese, teria a função de investigá-las.

O relatório final é constrangedor.

Além de exaltadas no texto, conseguiram, entre outras coisas, liberar quase todas as proibições que, por conta delas, existiam nos estádios de futebol.

Desde os mastros de bandeira até a comercialização de bebidas alcoólicas nas praças esportivas.

Fala-se até, em citação surreal, em reservar locais “seguros”para que as “organizadas” possam assistir os jogo, e que os clubes devem dialogar com a bandidagem.

O documento será enviado agora para sanção da Câmara Municipal, onde, espera-se, tenham mais juízo e menos peleguismo.

Confira abaixo trechos que selecionamos do relatório, assinado pelos vereadores:

Laércio Benko (PHS), Conte Lopes (PP), Nelo Rodolfo (PMDB), Patrícia Bezerra (PSDB), Senival Moura (PT), José Police Neto (PSD), Ricardo Teixeira (PROS), Patrícia Bezerra (PSDB), Rodolfo Despachante (PHS), Senival Moura (PT) e Toninho Paiva (PR).

“Monitoramento eficaz e cadastro de responsabilidade das torcidas organizadas, dos clubes, da Federação Paulista e da Confederação Brasileira de Futebol, com a definição de um local seguro para que assistam aos jogos.”

Este é o caminho para devolver a paz entre as torcidas.

Não adianta culpar o todo pela parte, é preciso tirar a maçã podre da caixa, impedindo que contamine todo o resto.

Nesse movimento, os clubes também têm que assumir sua responsabilidade e dialogar com as torcidas organizadas. Gostem ou não alguns, a torcida organizada é parte do espetáculo, é hora de ouvi-las mais e não criminalizá-las.”

“Esta CPI iniciou seus trabalhos no dia 06 de agosto de 2015, com o propósito de apurar as causas da violência entre torcedores de futebol, violência esta que a imprensa atribui às torcidas organizadas. Ao buscar as causas, a Comissão procurou caminhos para propor soluções que devolvam a paz e a segurança aos torcedores.”

“Como vimos durante a Copa do Mundo, com a permissão da venda de bebidas no interior do Estado, o torcedor chega mais cedo, bebe a sua cervejinha dentro do estádio e assiste com mais tranquilidade à partida de futebol.”

“Muito positivo, a esse respeito, o depoimento colhido por esta CPI do Promotor de Justiça Paulo Sérgio de Castilho, que há mais de dez anos atua nos temas relacionados ao futebol e às torcidas organizadas. Ele, que participou do grupo de trabalhos que levou à proibição da venda de bebidas alcoólicas nos estádios, reviu sua posição. Nos Estados brasileiros em que a proibição foi igualmente revista, a violência não aumentou, em algumas praças até diminuiu.”

“A violência é intrínseca ao ser humano, mas não é inevitá- vel. A paixão é uma faísca que pode fazer explodir o monstro escondido no recôndito da alma das multidões. O antídoto a este veneno é a informação e a educação, e dar o primeiro passo nessa direção não custa muito”

“É preciso envolver as torcidas na organização do espetáculo e passar a punir não o CNPJ das torcidas, proibindo-as de funcionar, mas o CPF dos infratores, colocando-os na cadeia”

“os vereadores decidiram pela substituição do teor do item 12, com os dizeres “Aprovar projeto de lei para proibir o inicio de eventos esportivos em São Paulo depois das 21h, de forma a garantir que os torcedores tenham transporte público” pelo seguinte texto “Aprovação do PL 300 de 2014 – Dispõe sobre a comprovação da condição de torcedores, obriga a utilização de identificação por meio de certificado de atributo digital nas entradas e de sistema de monitoramento por imagem em toda a área de uso comum de estádios com capacidade superior a 10.000 (dez mil) pessoas, nos dias de jogos de futebol, e dá outras providências”

“item 3: “Liberação de venda de bebidas alcoólicas dentro do estádio de futebol”

“item 4: “O torcedor, ao adquirir o ingresso, poderá optar pela compra (a ser paga junto com o ingresso) de um lanche e uma bebida (água, suco, refrigerante ou cerveja) pelo preço equivalente a 50% do preço praticado no balcão do estabelecimento no interior do estádio.“

“item 18 “Oficiar o Governo do Estado de São Paulo com vistas à alteração na Lei 9.470, de 27 de dezembro de 1996, que proíbe a presença de hastes de bandeiras nos estádios, de forma a possibilitar o retorno de elementos essenciais à festa nos estádios, como ocorre em outros Estados, Rio de Janeiro, por exemplo.”

“item 1 “Responsabilização solidária das torcidas organizadas juntamente com clubes e Federação Paulista de Futebol ou Confederação Brasileira de Futebol, dependendo da competição, pelos danos causados por torcedores caso não seja identificado o responsável ou responsáveis pelos danos causados em qualquer circunstância que envolva direta ou indiretamente a torcida, clube e evento esportivo (dentro do estádio e imediações”.

 

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