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Íntegra do discurso do Presidente do Palmeiras na entrega da “Salva de Prata”, concedida pelo Município de São Paulo

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Por PAULO NOBRE*

Boa noite, senhores. Estou muito emocionado, primeiro por este presente que Deus me deu, que na verdade foi a maior responsabilidade que eu já tive na vida, que é presidir este clube, que tem mais torcedores do que muitos países têm de habitantes.

Queria agradecer ao Vereador Reis, pela sensibilidade em fazer esta homenagem; ao Presidente Donato, e, em sua pessoa, agradecer a todos os Vereadores de São Paulo; ao meu amigo Ameriquinho, aos meus companheiros de Palmeiras e a todos os presentes.

Ser palmeirense vai muito além do que apenas torcer por um time de futebol. O Palmeiras é quase uma religião, é praticamente um estilo de vida.

No final do século XIX, com o final da escravatura, vieram os primeiros imigrantes italianos para o Brasil, para trabalhar nas lavouras de café. Em uma geração apenas, esses italianos estavam casando os seus filhos com os donos das fazendas, fazendo com que São Paulo, que era praticamente uma aldeia, se tornasse a grande locomotiva do Brasil. E isso se deve muito a todos os italianos que migraram para São Paulo.

O Palmeiras, em 1914, foi fundado por esses italianos.

Com o passar do tempo, até por motivos políticos, quando o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial, aquela equipe que se chamava Palestra Itália sofreu muitas perseguições políticas, chegando quase a perder todo o seu patrimônio. Mas o Palestra Itália resistiu com muita fibra, para se tornar não apenas um clube dos italianos, mas também um time de outras colônias de imigrantes.

O Palmeiras representava a classe média. O Palmeiras representava toda a imigração nordestina em São Paulo.

E, em 1942, nos obrigaram, de uma maneira muito agressiva, a trocar de nome. Digo isso porque a mudança ocorreu no curso de um campeonato. Iniciou como Palestra Itália e não pôde jogar o jogo final com esse mesmo nome. Foi quando morreu o Palestra Itália líder e nasceu a Sociedade Esportiva Palmeiras campeã, no episódio que ocorreu no dia 20 de setembro de 1942, que passou a ser conhecido como a Arrancada Heroica, época em que já era consagrado como um clube nacional.

Queria fazer um agradecimento ao Capitão Adalberto Mendes, que, junto com outros palmeirenses, ajudaram a defender o patrimônio do Palmeiras naquela época.

O Palmeiras, para quem não sabe, foi o responsável pela primeira conquista internacional do futebol brasileiro, em 1951, quando se tornou o primeiro campeão mundial interclubes. O Palmeiras, em 1965, representou, do goleiro ao pontaesquerda, do técnico ao massagista e ao roupeiro, a seleção brasileira. Ou seja, 100% era Palmeiras representando a seleção brasileira em 1965, na inauguração do Mineirão.

Ganhamos da seleção principal do Uruguai por 3 a 0. Foi o único clube na história a ter feito isso.

O Palmeiras teve a primeira academia, a segunda academia; e, com o passar dos anos, esse time, que era um dos maiores clubes de São Paulo, passou a ser um clube não somente regional como também estadual, nacional. E hoje eu diria que o Palmeiras ainda precisa, a passos largos, ganhar o mundo, mas já é um clube mundial.

Não há consenso sobre o número de torcedores, mas eu tenho certeza absoluta de que, espalhados pelo Brasil e pelo mundo, 20 milhões de pessoas, pelo menos, prestam atenção, acompanham, sofrem ou ficam felizes se o Palmeiras vai bem ou se o Palmeiras vai mal.

Eu, que me confesso uma pessoa bairrista em relação à cidade e ao Estado de São Paulo; eu, que não sou italiano, não tenho descendência nenhuma, fico muito à vontade para falar: muito obrigado a toda a colônia italiana, por ter feito de São Paulo o que fez. E se São Paulo é o que é, também ajudou o Brasil a chegar aonde chegou.

No ano passado, o Palmeiras completou 100 anos e ganhou um presente que eu não tenho palavras para descrever, um presente de toda a Câmara Municipal. Liderados pelo presidente Donato, com muita sabedoria, foi um Vereador que fez esse projeto ser de todos os Vereadores palmeirenses. O Palmeiras, hoje, tem uma honraria que poucos clubes no mundo têm: o Palmeiras mora na rua que tem o seu próprio nome.

As pessoas não percebem a importância da troca do nome, de Turiaçu para Palestra Itália, mas isso ninguém mais tira do Palmeiras. E, se o velho Palestra Itália sofreu uma injustiça em 1942, em 2014 o reconhecimento da Cidade de São Paulo foi um presente para todos os palmeirenses espalhados pelo Brasil e pelo mundo, para todas as colônias que assumiram o Palmeiras como o seu time de coração, para todos os imigrantes de todos os Estados que vieram construir São Paulo. Todos se sentiram agraciados.

E agora, com 101 anos, no primeiro ano de um novo século, o Vereador Reis tem essa sensibilidade de homenagear o Palmeiras com essa Salva de Prata, algo pelo qual sou muito agradecido.

Em nome de todos os palmeirenses – hoje estou presidente, mas sou um torcedor comum, como todos os senhores -, com muito orgulho, quero agradecer à Câmara Municipal, ao Vereador Reis, ao Presidente Donato e a todos os Vereadores, por tratarem o Palmeiras com tanto respeito e com tanto carinho. Muito obrigado.

*Discurso proferido na Câmara Municipal, durante a 430ª Sessão Solene

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