Lugano e Pato

lugano e pato

(trecho da coluna de TOSTÃO, na FOLHA)

O único jogador que lotou o aeroporto de torcedores em sua chegada foi o decadente Lugano. Ele se destacou na época em que, para ser um bom zagueiro, bastava ser alto, forte, bom no corpo a corpo, gritar muito e jogar com os olhos esbugalhados, de raça. Não precisava ter boa técnica, dar um bom passe nem ter velocidade, pois jogava encostado à grande área, na sobra. Um dos chavões da época era que o zagueiro nunca poderia ficar mano a mano com o atacante.

O futebol mudou. Mesmo se Lugano tivesse as mesmas condições de dez anos atrás, hoje seria inferior. Porém, como possui liderança e, na média, os zagueiros brasileiros são fracos, ele poderá jogar tanto –ou melhor– quanto a maioria, ainda mais que será dirigido por um técnico que sabe armar bem um sistema defensivo.

A liderança técnica é o mais importante. É a capacidade de, ao mesmo tempo, atuar e ver o jogo, além de saber dialogar com o treinador e com os companheiros.

É preciso acabar também com os chavões de que jogador raçudo é o que grita muito, dá broncas e corre atrás de bolas perdidas e que todo jogador habilidoso e clássico é apático quando joga mal e o time perde.

Onde vai jogar Pato? Escuto, todos os dias, que ninguém discorda de seu enorme talento e que falta a ele apenas a atitude de um craque.

Discordo. Pato, isoladamente, é habilidoso, criativo e executa bem os fundamentos técnicos. Mas falta o principal para ter um grande talento, a lucidez para tomar as decisões corretas, a capacidade de unir suas qualidades, de juntar as partes e de formar um todo, uma unidade. Em campo, é um atleta confuso, fragmentado, com um grande brilho aqui, outro ali.

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