Caveira cumpria ordens de Andres Sanchez e Coronel Dutra no Corinthians

Ontem, o MP-SP denunciou, entre os cartolas Matías Ávila, Roberto Gavioli e Wesley Melo, o ex-policial João Odair Souza, vulgo “Caveira”, por receber R$ 3,4 milhões em dinheiro vivo, dos caixas do Corinthians, sem qualquer documentação que justifique o pagamento.
Trata-se de peixe pequeno.
Caveira sempre foi fiel cumpridor de ordens de Andrés Sanchez e do coronel Dutra — chefe de segurança do clube ao longo de décadas.
Deve ter desempenhado o mesmo papel na gestão de Duílio “do Bingo”.
Se recebeu dinheiro — e as investigações apontam que sim —, o fez como intermediário, provavelmente ficando, se for o caso, com a menor fatia do bolo consumido.
Houve um episódio que retrata bem a fidelidade e operacionalidade de Caveira à cartolagem alvinegra,
Em 2009, durante a gestão de Andrés Sanchez, um detetive particular foi contratado para grampear o telefone deste jornalista.
O caso virou inquérito policial e acabou arquivado no MP-SP, sob a condução de Paulo Castilho, promotor extremamente próximo da cartolagem, apesar da existência de confissão do araponga — que chegou a ser detido —, além de áudios e outras provas.
A ordem para a contratação, segundo o próprio profissional, partiu de Sanchez; a intermediação foi feita pelo coronel Dutra; e quem realizava os pagamentos, em dinheiro vivo, era Caveira.
Se a promotoria vasculhar seus arquivos, poderá encontrar material relevante.
Duas curiosidades chamam atenção neste caso.
A confiança de Andrés Sanchez em Caveira era tamanha que, descobrimos após, uma das pessoas grampeadas teria sido Dete, ex-esposa do cartola — por razões que apenas ele poderia explicar.
O ex-jogador Neto, agora na Band, é testemunha deste acontecimento.
Quem atuou pelo arquivamento do caso, constituindo-se advogado de Sanchez quando este foi chamado a depor, foi Sérgio Alvarenga, ligado ao Centrão, que, à época, ocupava o cargo de diretor jurídico do Corinthians.
Ou seja, entre defender o clube ou o cartola que supostamente o assaltava, a escolha foi pela política.
Voltando ao caso em evidência, Caveira alega que retirava o dinheiro para pagar outros seguranças — o que, em parte, deve ser verdade, porque se tratavam, como ele, de policiais fazendo bico e que, por razões óbvias, não poderiam deixar rastros de recebimento.
Mas não é, segundo diversos indícios, a história completa.
A Caveira, agora, restam duas opções: contar o que sabe ou “segurar o BO” sozinho, protegendo aqueles que, comprovadamente, ditavam as ordens e as regras.
Andres Sanchez está milionário; Dutra, segundo informações, teria se mudado para os EUA, onde teria investido os tempos de bonança do Corinthians em imóveis.
