Carlitos ainda faz sonhar…
No triste período em que a MSI assombrou o Corinthians, a única válvula de escape para quem, por razões óbvias, não se sentia a vontade em ver o clube de coração lavando dinheiro da Máfia Russa era o desempenho, sempre intenso e magnífico, do argentino Carlitos Tevez no gramado.
Um jogador único, absolutamente técnico e decisivo, que encarnou, como poucos, a alma corinthiana nos gramados.
Ídolo das massas, não apenas no Parque São Jorge, mas também no Boca Juniors e agora na Juventus de Turim, Tevez só não é maior na Argentina porque Messi, apesar de também extraordinário, não aceita dividir o protagonismo.
O temor, óbvio, nem é pelo futebol (a qualidade do astro do Barça é, hoje, insuperável), mas pelo fato dos torcedores identificarem-se, quase sempre mais, com o jogador que, além de bom, nunca desiste duma jogada, se doa a todo tempo, emociona, até.
Tevez leva nas costas uma Juventus que, apesar de gigante na história, nos dias atuais, dentro das quatro linhas, é apenas mediana.
A vitória contra o Real Madrid, por dois a um, mesmo que seja apenas a primeira partida de uma semifinal que ainda tem a equipe espanhola, apesar da derrota, como favorita, amparada em atuação magnífica do argentino, fez o torcedor italiano sonhar.
A bem da verdade, não só o juventino, mas também todos os que, por algum período, como corinthianos e boquenses, tiveram a felicidade de gritar e torcer por um jogador de rara dedicação.
Tevez ainda faz sonhar e carrega consigo, nos próximos embates, que podem, com enorme dificuldade, levá-lo à consagração na Europa e a disputa de um título mundial no Japão, a torcida de uma legião de fãs, saudosos, mas ainda assim felizes por terem a oportunidade de vê-lo brilhar.

