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Blog do Paulinho

Brincar de imaginar

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Da FOLHA

Por TOSTÃO

“Se os maiores jogadores da história atuassem hoje, em que posição jogariam? Podemos imaginar”

A maior parte das equipes joga hoje no 4-2-3-1, com quatro defensores, dois volantes, uma linha de três meias e um centroavante. É uma variação do tradicional 4-4-2, com duas linhas de quatro e dois atacantes, que começou com os ingleses, em 1966, e que, 49 anos depois, é muito utilizado em todo o mundo. Nas duas situações, quando o time perde a bola, forma-se uma linha de quatro no meio-campo, com dois volantes e um meia de cada lado.

Muitos treinadores preferem uma dupla de atacantes, em vez de um centroavante e de um meia mais recuado e centralizado. A seleção brasileira possui uma dupla na frente, Neymar e Tardelli, e um meia de cada lado, Oscar e Willian (cada dia melhor), que marcam e atacam. Não há o meia clássico, pelo centro. Com Felipão, o time jogava da mesma forma.

Em outras colunas, falei da importância de o jogador achar sua posição ideal e o lado melhor de atuar, e que ter, em uma partida, mais de uma função é diferente de jogar em várias posições. Alan Kardec é um bom centroavante, por ser alto, finalizar e cabecear bem e fazer bem a função de pivô. É também elogiado por atuar pelos lados e mais recuado, como um meia. Nunca o vi jogar bem nestas posições, embora se esforce para isso.

O problema de se adotar um sistema tático e repeti-lo, sem variações, é tentar fazer com que todos os jogadores se adaptem a ele. Muitos não conseguem. Vou brincar de imaginar em que posições, no sistema atual 4-2-3-1, jogariam os maiores atletas do passado. Alguns não teriam problema. Já outros…

Garrincha conseguiria ser um ponta moderno, marcar e atacar? Dificilmente. Correria o risco de ficar na reserva, e não conheceríamos um dos gênios do futebol.

Se Gerson atuasse hoje, dirigido por um técnico mais atualizado e arejado, seria escalado de segundo volante (prefiro dizer meio-campista), por atuar de uma intermediária à outra, gostar de ficar com a bola, trocar passes, comandar o jogo, além de dar magistrais passes longos. Mas se o técnico fosse um ortodoxo, diria que armador habilidoso não pode ser volante. Teria de ser meia ofensivo. Gerson não seria o craque que foi.

Em que posição jogaria Pelé? Ao vê-lo treinar várias vezes, o técnico teria uma grande dúvida, se o escalaria de centroavante, por ser ele excepcional cabeceador, finalizador e pivô, se de atacante pelos lados, por ele ser extremamente veloz e habilidoso, ou como um meia mais recuado, pelo centro, por ser ele muito criativo e dar excelentes passes.

Se o auxiliar fosse irrequieto, desassossegado e conhecesse a história de nosso futebol, sugeriria ao treinador colocar Pelé de ponta de lança, formar dupla com o centroavante, com liberdade de voltar para receber a bola e de se movimentar por todo o ataque. O técnico olharia o auxiliar com uma pose de sábio e responderia: “Não dá. Ele tem de se adaptar ao sistema tático”.

Mesmo os gênios precisam estar no lugar certo, no momento certo e na época certa. O sucesso é a soma de talentos, acasos, desejos e oportunidades.

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