pato e roberto andrade

Durante todo o período eleitoral do Corinthians, o grupo situacionista, que vem sendo gerido pelo ex-bicheiro André Negão, tomou o cuidado de expor o menos possível a fragilidade de comunicação do candidato a presidente, Roberto “da Nova” Andrade.

Recusaram entrevistas e quando aceitaram concede-las, optaram, invariavelmente, pelos programas gravados ou de jornalistas mais simpáticos a causa.

Porém, em reta final de campanha, tornou-se imprescindível a utilização do máximo de mídia possível, mesmo que o risco não seja nada pequeno.

Ontem, por exemplo, Roberto Andrade, em duas aparições, deu mostras de suas limitações.

No site do Globo Esporte, justificou a desastrosa contratação de Alexandre Pato com o argumento de que o atleta vinha de “grandes temporadas na Europa”, quando, na verdade, sequer conseguia se manter como titular na equipe do Milan.

Disse ainda que Pato “não se adaptou ao futebol brasileiro”, uma variação da desculpa utilizada pelos dirigentes milaneses, que costumavam dizer que o atleta não havia se adaptado ao idioma local.

Mais tarde, na TV Gazeta, defendeu o sistema de fatiamento de atletas das categorias de base com empresários, mas deu exemplos que, além de demonstrar absoluta incapacidade administrativa, explicitaram, também, que sua gestão dará continuidade aos procedimentos.

Finalizou a explicação com uma pergunta: “o que você faz (para evitar a situação)?”.

Um candidato a presidência do Corinthians, convenhamos, tem a obrigação, a essa altura da campanha, de saber a resposta.

Confira abaixo os áudios com suas respectivas transcrições:

CONTRATAÇÃO DE ALEXANDRE PATO

“Pelos valores empregados no Pato, todos nós gostaríamos e tínhamos a certeza de que daria certo, por tudo o que o Pato representa no futebol do Brasil, na Europa, onde fez grandes temporadas.

Mas, infelizmente, ele não se adaptou ao futebol brasileiro, não deu certo.

Mas eu acho que arrependidos, não podemos ficar arrependidos… “

GESTÃO DAS CATEGORIAS DE BASE

“A base… eu vou falar aqui que… seu eu falar para todo mundo que na minha gestão nós vamos ter 100% de todos os jogadores, isso é a maior demagogia do mundo.

Você pega um menino para trabalhar no futebol com 11, 12 anos de idade, e nessa idade não se pode fazer nenhum documento… ele tá lá jogando e você está investindo, paga escola, alimentação, enfim, médico, tudo bem…

Quando ele chega com 16 anos, você vai fazer o primeiro contrato.

Nesse período de 11, 12 anos que ele chegou ao clube aos 16, já deu para você ver se o menino tem uma condição de futebol, uma condição técnica boa… caso ele tenha uma condição diferenciada, ai ele vem sentar com o diretor da categoria amadora, vem com seu pai, sua mãe, seu empresário, vem com representante, enfim, quem o representa naquele momento.

E ele já chega, primeiro documento, e ele fala assim: “olha, meu filho está jogando bem, eu quero que ele fique aqui, não tenha dúvida, só que nós já temos uma proposta de um clube, que eu não quero falar o nome, que nos dá “x” reais ou nos dá 40% dos direitos econômicos”.

Ai você fala: “pô, o moleque é bom, é melhor ter 60% dele do que não ter nada e falar vai com Deus”.

Podemos falar “vai com Deus”? Podemos falar vai com Deus, não tem problema… mas é uma questão… se o moleque é bom, faz-se o papel, o documento, você só pode fazer um contrato de três anos, com 16, você já deu 40%, ficou com 60%. Passa os três anos, que passam muito rápido, ele já está com 19 ainda, ele está lá no Sub-20…

Ou já explodiu e já deu para ver bem o que é, ou ele está igual. Se estiver igual, a chance de fazer mais um contrato de três anos e ele ficar 60% a 40% é igual. Agora se o moleque estourou, a família vem de novo: “olha, eu agora quero mais 30%”, ou “quero mais 20%”…

O que você faz ?”

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