Episódio da rádio Gaúcha serve de reflexão a jornalistas

rádio gaucha

Ontem, horas após o massacre do Grêmio de Felipão contra o Internacional, por quatro a um, na Arena, um lamentável episódio de intolerância foi protagonizado por quem, em tese, deveria estar mais preparado para o debate de ideias.

Dois jornalistas, Kenny Braga e Paulo Sant’Anna, em meio a ofensas “vai gritar com a tua mãe”, e palavrões “Vai tu, o filho da puta”, quase foram as vias de fato, ao vivo, durante o programa “Sala de Redação”, da rádio Gaúcha.

Esqueceram que, muitas vezes, suas condutas servem de exemplo a torcedores, ainda mais em tempo em que a barbárie só faz aumentar nas tais facções criminosas que se dizem “organizadas”.

Jornalista tem que ter lado – desconfie sempre daquele que finge não possuir – pode ser torcedor de clube, mas não tem o direito, em hipótese alguma, de distorcer seu ofício para favorecer “a” ou “b” em seus comentários, ou, como no caso específico, comportar-se como se estivesse na arquibancada ou numa discussão de boteco.

O consumidor de notícias vem sendo desrespeitado, não apenas pelo caso referido, mas por tantos outros mais, em que apresentadores de televisão, sob pretexto de linguagem popular, ofendem torcedores, gritam entre si, promovem a má polêmica, contribuindo para a falta de credibilidade do jornalismo.

Episódios como o da rádio Gaúcha precisam servir de reflexão, principalmente aos proprietários de emissoras, que, indiscriminadamente, colocam no ar desqualificados em busca da audiência a qualquer custo, para que novos rumos sejam seguidos na profissão.

O caso de Kenny Braga, que foi demitido, e de seu ex-colega Sant’Anna, suspenso, foi mais de destempero do que propriamente o que se tem observado, com muita gravidade, em diversos veículos pais a fora, ainda assim, absolutamente inadequado para quem tem, por dever de oficio, a obrigação de manter algum nível de ponderação.

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