Xico Sá e a Folha de S.Paulo
Repercutiu, durante todo o dia de ontem, o pedido de demissão do colunista Xico Sá, que escrevia, semanalmente, na Folha de S.Paulo, maior grupo de imprensa escrita do país.
O motivo, abominável, foi a censura imposta pelo jornal a um texto que revelava a preferência de voto do jornalista na presidente Dilma Rousseff (PT).
Tanto FOLHA quanto Sá confirmaram a informação.
Na sequencia, pelo twitter, Xico revelou, em partes, muito provavelmente o tom do que deveria ter ido ao ar em sua coluna.
Independentemente do teor – que este jornalista discorda, integralmente, por acreditar ser o PT uma facção criminosa – não é admissível que um colunista, ainda mais com a independência e importância de quem se trata, não poder, livremente, expressar seus pensamentos e opiniões.
A desculpa da FOLHA para o veto, dizendo que a referida predileção não poderia ser exposta no espaço da Coluna, mas inserida na página “A-3”, em que, por vezes, fãs do articulista, que compram o jornal apenas para lê-lo (certamente um dos objetivos da publicação ao contratar grandes nomes) sequer folheiam, é tão ruim quanto a confissão do veto, sem nenhuma demonstração de constrangimento e respeito ao leitor.
Um jornal do tamanho da FOLHA, por mais que seus interesses sejam contrariados, tem por obrigação estabelecer o debate de ideias, principalmente em colunas pessoais, em que, acredita-se, há a obrigação moral e jornalística do escritor de fazer prevalecer sua opinião.
O jornal pode discordar e até criticar alguns destes pensamentos, no espaço que lhe é reservado para manifestação, o EDITORIAL, em que textos que representam a linha de conduta do conglomerado são publicados.
Vetar a opinião de um de seus colaboradores, tudo indica, por receio de desagradar interesses que, tudo indica não podem ser revelados, é dar um tiro que ultrapassa o pé, ricocheteia no chão, e atinge o coração da democracia.
O Blog do Paulinho discorda dos pensamentos de Xico Sá sobre as eleições à presidência da República, mas defende, veementemente, o direito de que sejam manifestados, além de repudiar, abertamente, a atitude da FOLHA, maniqueísta e muito próxima dos procedimentos adotados por ditadores, amplamente divulgados e combatidos por publicações do próprio jornal.

