Advertisements

Governo concentra-se no Futebol, mas ignora o Olimpismo, que está tão ruim quanto

A nuzmania e os hermidas

Por ALBERTO MURRAY NETO

Parece que agora o governo federal interessou-se pelo futebol, com interferência direta da própria Presidenta da República. Isso é bom. Antes tarde do que nunca. As reuniões e movimentos feitos até o momento são positivos. Tomara que não seja mera pirotecnia eleitoreira. O futebol brasileiro exige mudanças profundas, que não se resumem à escolha de um novo técnico para a seleção nacional.

O que é ruim é ignorar que o futebol não é o único esporte no Brasil que merece reformas radicais. A monocultura futebolística absorve as atenções do governo e das mídias. São poucas que abrem espaços importantes para os esportes olímpicos. Temos pela frente, daqui a dois anos, os Jogos Olímpicos, que serão realizados no Rio. As obras estão muito atrasadas. Algumas delas, promrtidas no dossiê de candidatura, sequer ficarão prontas. Há indícios fortíssimos de que o superfaturamento que ocorreu nos Jogos Panamericanos de 2.007 serão repetidos em 2.016, com obras sendo feitas na correria e entregues em cima da hora, por preços muito mais caros e tudo pago com dinheiro público.

O governo e a Presidenta da República teriam que aproveitar o momento em que se debruçam sobre as mazelas do futebol, para fazer o mesmo com as do olimpismo brasileiro. E deve fazer isso enquanto há algum tempo. No futebol, o governo quer agora juntar os cacos e começar uma nova era. Então que não se esperem os fracassos de 2.016 para investigar o olimpismo. Que se comece a fazer isso imediatamente.

No Olimpismo há duas frentes a serem atacadas. Uma é a organização dos Jogos Olímpicos em si, atentando para que as coisas sejam feitas nos prazos e preços corretos, com rigorosa transparência e sempre com licitações públicas. A outra é a estrutura organizacional das Confederações e do Comitê Olímpico Brasileiro, que devem ser cobrados por administrações modernas e arejadas, com projetos sólidos de longo prazo incentivando as categorias de base. Parafraseando meu dileto amigo Lars Grael, com raríssimas exceções, o comando do esporte olímpico brasileiro é comparado às capitanias hereditárias.

Como escreveu José Cruz, o governo não pode ignorar as graves denúncias feitas e comprovadas pelo jornalista e historiador Lúcio de Castro, da ESPN Brasil, sobre pagamentos suspeitos feitos pela Confederação Brasileira de Vôlei. Essa Confederação é dirigida há quarenta anos por dois indivíduos de um mesmo grupo político, Carlos Arthur Nuzman e Ary Graça Filho. A Presidenta da República não pode se esquecer de que a Confederação Brasileira de Vôlei é sustentada por uma importante empresa do governo, o Banco do Brasil S.A. Há muito dinheiro público envolvido aí.

Advertisements

Facebook Comments

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Open chat
Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
%d blogueiros gostam disto: