Blatter e o discurso “mafioso” de defesa da FIFA
“Peço a todos os membros das federações asiáticas que mostrem união, essa é a melhor maneira de responder aos que querem destruir, não o futebol, mas destruir a entidade [Fifa]. Nossa entidade é tão forte que é certo que eles não vão conseguir destruí-la”
Ao ler as palavras acima, pronunciadas pelo presidente da FIFA, Joseph Blatter, em defesa da entidade, num exercício de comparação não é difícil remeter o tom de desabafo ao utilizado em retratos expressos em livros e filmes que tratam de explicitar organizações mafiosas.
Sob ataque, o “Chefão” reúne os parceiros, pedindo união e ação contra grupos contrários a seus interesses.
Qual é a diferença entre a FIFA e a Cosa Nostra ?
Ambas são organizações acusadas de cometer crimes, comprar apoio político, oprimir não apenas adversários, mas também aliados, além de proteger seus corruptos.
Porém, se necessário for, sem dó de cortar a cabeça de gente graúda da “famíglia”, se houver risco ao funcionamento das operações.
Blatter acerta quando diz que o intuíto dos “acusadores” não é destruir o futebol, monopólio exclusivo da entidade, que do esporte, ano a ano, tira a essência da competição, a magia da juventude, transformando-o em mero meio de locupletação para tubarões dos negócios, sejam eles dirigentes ou agentes que compram e vendem jogadores, antes mesmo de estarem amadurecidos para qualquer tipo de disputa.
Sem falar nos verdadeiros feirões, que englobam produtos diversos, desde a manipulação de resultados, até a compra de votos em eleições e escolha de sedes para a Copa do Mundo.
Vale tudo, para poucos, em detrimento de muitos.
Hoje, a compra da Copa pelo Catar está escancarada, mas somente sendo muito inocente para acreditar que a candidatura única do Brasil, no continente americano, para sediar o Mundial, sem precedentes no passado, tratou-se uma união natural de compatriotas.

