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A ética de Ronaldo nunca existiu

ronaldo laranja

Tem se falado muito, após o anuncio de que Ronaldo “Fenômeno” foi contratado pela Rede Globo para ser comentarista da emissora na Copa das Confederações e, provavelmente, também no Mundial de 2014, sobre a questão ética da coisa.

Porém se esquece que nunca houve ética no relacionamento entre as partes, oriundo desde que o agora ex-jogador atuava ainda menino pelo Cruzeiro.

O fato de estar no COL, ao lado do que há de pior no mundo do esporte, ou afirmar ser dono de uma empresa, a 9Nine, em que é apenas preposto de uma gigante da comunicação inglesa, a WPP, envolvida na CPI dos Correios, suspeita de pagar propina a Marcos Valerio, o do Mensalão, jamais será comentado pela Globo.

Assim como, no País das Maravilhas que sempre se transforma os eventos em que a Globo é “parceira” de alguma maneira, será permitido ao “fenômeno”, esquecer nos comentários detalhes que precisam ficar escondidos sobre a organização dos eventos, assim como sempre elogiar seus parceiros comerciais, entre eles alguns jogadores da Seleção Brasielira.

Ronaldo sempre foi uma espécie de funcionário extra-oficial da emissora.

Razão pela qual, mesmo distorcendo muitas vezes a notícia, em claro conflito ético e moral, a Globo sempre foi sua porta de proteção e também projeção.

A alcunha “fenômeno” foi criada pelo principal narrador da casa, Galvão Bueno.

Sua vida noturna, que por vezes influenciou não apenas no comportamento dentro de campo, mas também no relacionamento com companheiros, sempre foi abafada por aqui.

Todos os momentos bons de sua vida – muitos, por sinal – foram superdimensionadas para que o mito do super-herói brasileiro pudesse ser mantido.

Certo é que dentro de campo o talento para o futebol, inquestionável, contribuía para elevar a fama, que por vezes era confundida com seu lado pessoal.

Esse sim, indigno de ser tratado como “fenômenal”.

A Globo mentia ao mostrar para o país um Ronaldo “príncipe encantado” fora das quatro linhas, quando, na verdade, se aventurava desde sempre pelos caminhos das “facilidades”, sempre em promiscuidade com políticos e dirigentes do esporte.

Era interessante notar, também, sempre que um episódio externo poderia manchar a imagem de bom moço do atleta, a emissora ignorava, nunca noticiando em seus mais variados telejornais.

Quando julgava necessário, então, uma defesa maior, abria o “Fantástico”, programa de maior audiência aos domingos, para que pudesse se defender, sempre orientado por profissionais.

No caso da Copa de 1998, mesmo sabedora da verdade, ou do “affair” de um conhecido apresentador da emissora com a então namorada de Ronaldo, que pode ter ocasionado a crise de convulsão antes da final do mundial, o assunto foi abafado.

O problema com os travestis num motel do Rio de Janeiro, em quem um deles, depois falecido, disse em depoimento registrado na delegacia que Ronaldo tinha ido ao local pela “cocaína”, foi tratado como um “equívoco” de percepção do atleta, que estaria em busca de “amor”, mas não teria percebido que as “meninas” eram diferentes do que pensava ser.

Sem falar nas jogatinas promovidas pelo jogador (a dinheiro), na Europa e depois também no Brasil, que dividia o grupo de atletas, muitos silenciados pelo medo de bater de frente com alguém tão protegido pela mídia.

Ricardo Teixeira, Berlusconni, Andres Sanches, José Maria Marin, os Perrelas, entre outros, sempre abraçaram o atleta em momentos difíceis, encontrando a reciprocidade que depois era transformada em privilégios por quem sempre carregou a fama de bom moço.

Nunca pensou na consequência ruim para o futebol e também política de seus atos.

Ética ?

Para se colocar em questão há a necessidade de possuí-la.

Ronaldo nunca teve.

Nem com o público, que sempre o idolatrou, muito menos com companheiros de profissão.

Está, portanto, colocado agora no posto certo de trabalho, pelo menos, dessa vez, de maneira oficial.

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