O fechamento do JT é um aviso de que a imprensa precisa mudar

O triste final do JT (Jornal da Tarde) expõe a atual situação das grandes corporações de mídia do Brasil, que perdem espaço, gradativamente, na competição com as mídias sociais e meios independentes de comunicação.

Muitos são os motivos, entre eles  a dificuldade de entendimento de que para sobreviver no mercado a imprensa tradicional precisa acompanhar tendências a avisos emanados de seu próprio púbico.

Não faz sentido manter o engessamento de padrões jornalísticos, tanto de escrita como também de edição nas matérias, proporcionado ao leitor algo que a internet já lhe tornou disponível dezenas de horas antes.

O caminho é o aprofundamento das notícias, não a sua divulgação como se fosse em primeira mão, esmiuçando, com a habilidade da equipe de reportagem, lados da informação que não foram bem trabalhados na mídia digital.

Há também a necessidade de ampliar o espaço de colunistas, este sim o grande diferencial das publicações impressas, desde que escolhidos pela excelência do trabalho e capacidade de enxergar além da notícia, não pelos métodos cada vez mais utilizados de apadrinhamento.

Nos próximos anos, a seguir nessa toada de decisões previsíveis e “tradicionais” daqueles que detém o poder dos principais grupos de comunicação do País, o que veremos será o enxugamento cada vez maior de veículos tradicionais, engolidos que serão pela realidade.

É fato que o Brasil, hoje, comporta, no máximo, um grande jornal por Estado, se tanto, tirando São Paulo, local em que “Folha” e “Estadão” podem, ainda por um período, conviver sem maiores estragos.

Nos demais, a tendência é a de manutenção de um grande espaço de notícias que competirá com empresas, à principio, de menor porte, mas que podem ganhar espaço se entenderem as mudanças que precisam ser realizadas para que a comunicação torne-se novamente atrativa ao leitor.

Quem não mudar, dificilmente sobreviverá para contar a história nos próximos anos.

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