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Era uma vez em São Paulo

Por CONTRAGOLPETRICOLOR.COM

Era uma vez um clube muito popular. Sua torcida era enorme e orgulhosa do time.

Esse clube era presidido por um senhor já idoso, folclórico, que falava de maneira engraçada e que estava lá há muito, muito tempo, cercado de bajuladores em cargos onde deveria ter colocado profissionais da área, e dito por todos como um mal necessário para a existência do clube.

Este clube não tinha oposição política, dizimada pela mão de ferro do ditador.

Essa diretoria havia sido campeã brasileira há pouco tempo, e começou a contratar um monte de cabeças de bagre para o lugar dos ótimos jogadores que haviam levantado a última taça.

As contratações chegavam às baciadas, de qualidade cada vez mais discutível, muitas claramente em troca de favores com empresários, e o nível do futebol só caía.

A torcida, anestesiada pela fase vitoriosa, achava que aquilo era somente uma má-fase temporária e que logo mais o clube voltaria a ser coberto de glórias.

Haviam pouquíssimas vozes discordantes na imprensa.

Na verdade, boa parte da imprensa era conivente com o que acontecia lá dentro, soltando notas favoráveis sempre que o time não correspondia em campo.

A oposição no clube inexistia, pois o presidente-caudilho havia pouco a pouco loteado o clube para seus cupinchas e distribuído cargos a torto e a direito para calar os descontentes.

Havia diretor de churrasqueira, diretor do departamento de bocha, diretor-adjunto das latrinas, diretor do motoboy…

Este clube, que sempre revelou bons jogadores, começou a negligenciar sua molecada para trazer jogadores medianos para baixo.

Para completar a tragédia, além de abrir mão da tradição de revelar bons jogadores nas categorias de base, se associou a empresários e também a um ‘investidor’ controverso, loteando os direitos econômicos das poucas jovens promessas que restaram e enchendo o clube de jogadores de empresários, além das “mercadorias” do próprio investidor.

O time obviamente não rendia e a conta sobrava para os treinadores.

O presidente-caudilho quis dar uma resposta aos torcedores e tentou Carpegiani.

Não deu certo.

Contratou Leão para “sacudir o ambiente”. Não funcionou.

Numa tentativa de calar os críticos, gastou vinte e poucos milhões de reais para contratar um jogador tão habilidoso quanto frágil fisicamente, e também trouxe um centroavante “de nome” para agradar a torcida.

O caixa do clube, já combalido pela falta de um patrocinador forte nos anos anteriores, ficou definitivamente no vermelho e o clube entrou em uma crise moral e técnica sem precedentes.

Nesse meio-tempo, promessas de que as coisas iriam melhorar e maquetes de um estádio moderno, com cobertura e tudo, eram exibidas à imprensa e torcida.

Todos fingiam que estava tudo bem.

O clube era tratado como extensão da casa do caudilho, que lá fazia o que queria, como queria e quando queria, limitando a todos dizer ‘amém’ para duas decisões tresloucadas, injustificáveis, vergonhosas.

A essa altura do campeonato todos já sabem de quem eu estou falando, certo?

Poderia ser hoje, mas essa história aconteceu em 2006-2007.

Poderia ser o São Paulo Futebol Clube, mas estou falando do Corinthians.

Todos sabem como 2007 terminou para eles.

O São Paulo não vai cair esse ano, não vai cair ano que vem, mas um dia a conta do caudilhismo, o câncer de qualquer sistema de governo, será cobrada.

Eurico Miranda, Alberto Dualib, Mustafá Contursi, Mario Celso Petraglia, Zezé Perrela, entre muitos outros, são nossas testemunhas.

Cabe a nós, torcida, não deixar isso acontecer.

E aí? O que você vai fazer?

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