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Descaso na saúde em São Paulo: aluno do 1º ano de residência opera paciente de risco no Hospital do Servidor Público

O paciente Emygdio R.P. deu entrada no Hospital do Servidor Público Estadual, no último dia 05 de agosto, para tratar de uma hérnia na região da virilha.

Estamos no dia 23, quinze dias depois, e ainda permanece internado.

Pior, correndo risco de vida, após ser operado, no último dia 14, pelo Dr. Diego Barão, CRM 153589, médico no 1º ano de residência.

O anestesista, então, nem teve o nome completo marcado em sua ficha, onde consta apenas, “Hyibe e Dr. Pedro”, este último descrito como 3º anista de residência.

Ambos, portanto, iniciantes na profissão.

Um absurdo, levando-se em consideração que o quadro clínico do paciente era de absoluto risco, tanto que sua cirurgia, segundo prontuário médico a que tivemos acesso, foi tratada como “emergencial”, por se tratar de uma hérnia com aspecto inflamatório.

Laudo este assinado pelo Dr. Matheus M. Guerra, CRM SP 153875.

Com problemas cardíacos, o Sr. Emygdio tem diversas complicações de saúde, algumas delas que impedem a normal coagulação de seu sangue, razão da demora entre o dia da internação e de sua operação.

O fato é que após a cirurgia, 9 dias atrás, o quadro se agravou, o local se inflamou e o índice de coagulação, que deveria estar em “2,0”, mantem-se em preocupantes “1,2”.

A cada dia o local fica mais inflamado e não há sinal de cicatrização, pelo contrário, as dores aumentam e sangramentos acontecem.

O descaso é absoluto.

Os médicos mais experientes sequer passam para visitar o paciente, restando ao inexperiente médico que o operou o desespero de mal saber o que fazer para reverter o quadro.

Houve até um dos “doutores”, que além de tratar o caso com sarcasmo, tentou por duas vezes dar alta ao paciente, mesmo sabendo que se isso ocorresse, o risco de morte seria muito grande.

Estivemos, ontem, por volta das 20h, no Hospital, e pudemos constatar um estado deplorável de tratamento ao paciente.

O hospital negou-se a apresentar o prontuário médico e a dar a simples informação de quem havia realizado a cirurgia.

Somente após alguma discussão, fomos recebidos pelo chefe da enfermagem, Sr. André Santos, que, enfim, nos deu acesso ao material.

Nele encontramos os dados relatados na matéria.

A indignação do paciente

“O médico que me operou é uma pessoa de bem, atenciosa, porém, como aluno de medicina, não tem culpa de não saber resolver o problema. A culpa é de quem o colocou lá para operar. Sou um paciente com histórico de risco, jamais poderia ter sido operado por alguém inexperiente.”, disse, indignado, o Sr, Emygdio.

“Me utilizaram como cobaia. Eles brincam com a vida da gente. Depois que tudo se complicou os médicos fugiram. Mandam o aluno me tratar. Com boa vontade, ele ainda solicitou três procedimentos para tentar resolver o meu problema, mas a chefia negou todos.”

“Teve um médico que mandaram aqui que fez o absurdo de me mandar para de tomar um remédio que controla a coagulação do sangue. Tive que discutir até mandarem outro médico, que constatou a ordem errada… e se tivesse parado ? Estaria morto agora…”

“Eu só quero ser tratado com respeito, como cidadão. É pedir muito ? Fui internado no quarto 709, leito 35. Às vésperas da cirurgia, fui transferido para o 707, leito 27, em que havia um paciente com infecção intestinal aguda. Cheguei no quarto, após a operação, e o mesmo estava todo defecado… fiquei horas nessa situação, correndo risco de infecção hospitalar, se é que já não é este o meu caso…”

O único médico que teve coragem de falar

Após algumas horas no Hospital, em que o médicos estranhamente não visitaram os pacientes enquanto estivemos por lá, somente um deles, o Dr. Diogo Tomazzini, após intermediação do prestativo Chefe de Enfermagem, Sr. André Santos, resolveu nos atender.

Solicitamos que ele fosse avaliar a situação do Sr. Emygdio, e ele, mesmo sem ter conhecimento prévio do episódio, se predispôs a ajudar.

“É um absurdo que alguém tenha tentado lhe dar alta… o senhor não pode sair daqui nesse estado, tem que ter, no mínimo, a coagulação “2,0”, disse o médico ao paciente, na nossa presença e de mais algumas testemunhas.

“O médico que lhe operou é um R1 (1º ano de residência)”.

“O médico que mandou o senhor parar com o medicamento não poderia ter feito isso… não sei também porque chamaram um vascular para o senhor… não tem nada a ver com o procedimento…”

Conclusão

Algo precisa ser feito para que não apenas a situação do Sr. Emygdio, como também a de outros no local (recebemos reclamações), seja resolvida.

O descaso e omissão de alguns médicos que se acham “Deuses” e do Governo com a saúde pública tem que ser solucionado antes que o Hospital, que deveria salvar vidas, transforme-se numa fábrica de cadáveres.

Saímos do Hospital do Servidor Público Estadual estarrecidos, e  com a certeza de que os médicos não tinham a menor ideia de como resolver o que, tudo indica, tenha sido um erro de procedimento na cirurgia do Sr. Emygdio.

E isso tudo numa “simples” cirurgia de Hérnia, em que locais competentes costumam liberar os pacientes vinte e quatro horas após o procedimento.

Imaginamos o que não deve acontecer em operações de maior complexidade…

Triste retrato da saúde no Estado, bem diferente do quadro que será exposto, nos próximos dias, no sempre fantasioso horário eleitoral gratuito.

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