Raul Corrêa da Silva: de “esperto” a “espertalhão”
Era uma vez um adolescente de nome Raul, sonhador, que, junto à uma recém criada torcida organizada, nos meandros de 1971, resolveram parabenizar a ainda corajosa revista Placar por meio de uma carta datilografada.
O motivo era o combate da publicação à corrupção no Corinthians, que suas matérias tratavam de escancarar.
Quarenta anos se passaram, e tudo mudou.
Para pior.
A própria revista, outrora interessante, diria até, importante, hoje admite até Mentirosos Natos como colunistas.
Os torcedores, em troca de um punhado de moedas, deixaram de combater a ação criminosa dos dirigentes para a eles se associarem.
Enquanto o pobre Raul, arrogante que ficou, deixou de lado o espírito de justiça, e sucumbiu ao sistema, maquiando evidências de desvios claros de conduta, em sua ação como diretor financeiro do Corinthians, aquele mesmo clube que um dia o fez sofrer nas arquibancadas.
Sim, acreditem.
Raul Corrêa da Silva, quatro décadas atrás, não era tão “espertalhão”.
Mas, pelo menos, conseguia deitar a cabeça em seu travesseiro.
Em tempo: Demonstrando já predisposição à escolhas equivocadas, a tal chapa “Revolução Corinthiana”, a quem Raul Corrêa da Silva apoiou e se referiu na carta, defendia o Governo da Ditadura, reinante no Brasil, e seu candidato, Miguel Martinez, seis meses após ser eleito presidente do Corinthians, foi afastado do cargo por corrupção.

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