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Palavra do Magrão

Tecnicamente viável

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=6132

O meio do futebol é extremamente complexo e interessante.

Agrega indivíduos de diferentes formações e origens, pessoas com sonhos e realidades distintos sempre em busca de suas realizações pessoais.

Contrapõe-se a esses sentimentos individuais intensos um compromisso coletivo de concretização dos objetivos.

Essa dicotomia é o agente gerador, catalisador e muitas vezes destruidor de todo o processo.

Ter em mente a importância de respeitar os diversos fatores que interferem na boa convivência entre os vizinhos é questão primordial para alcançar o sucesso.

Na estrutura que rege o ambiente futebolístico, um posto em particular merece toda a atenção: o técnico.

Em razão de sua posição e do poder de escolher esse ou aquele jogador para vestir a camisa titular da equipe, ele é o responsável por propiciar ou restringir a possibilidade de ascensão de cada integrante do elenco e por isso mesmo é visto sob a ótica da desconfiança, do medo ou da admiração, dependendo de como trata cada um dos seus atletas.

Saber lidar com as diferentes reações não é algo simples e geralmente produz sequelas nem sempre sanáveis.

Há técnicos boicotados pelos jogadores principalmente quando querem se impor pela opressão, resultado de uma postura no mínimo contestável.

O treinador deveria atuar em linhas de comportamento mais maleáveis, mais democráticas.

Quando ele se coloca como deus, dono do conceito absoluto da verdade, o técnico entra em absurda contradição.

Nessas ocasiões ele assume um poder muito maior do que tem, o que cria conflitos.

Acaba tentando determinar um tipo de conduta exigindo que todos acompanhem seu pensamento.

Na verdade, o técnico deveria servir como catalisador de expectativas, emoções e sentimentos para que possa gerar um objetivo comum.

O futebol, apesar de ser um esporte coletivo, apresenta uma concorrência intrínseca, e a presença de alguns dos nossos piores sentimentos, como a inveja e o ciúme.

Por isso a necessidade de estarmos atentos a todas as variáveis.

Se você entra em contato com um grupo disforme, marcado por conflitos anteriores ou que se desequilibra com a chegada de um novo integrante, há de se criar linhas opcionais para agregar os componentes.

De nada adianta administrar o passado.

Ao criar fatos novos, novas condutas, há maior possibilidade de aproximação.

Quando, devido à premência de tempo, há a necessidade de, às pressas, formar um novo grupo, este se fará bastante heterogêneo.

Assim como experiências e expectativas distintas e com inúmeros vícios de conduta.

Iniciar um processo em que regularmente se promovam discussões sobre assuntos diversos e de interesse da maioria cria uma proximidade interessante.

A partir daí, surgirá uma relação diferente entre as pessoas do grupo, com maior intercâmbio de informações e mais interesse para com os companheiros.

Um resultado excepcional, nascedouro de um vínculo muito grande entre todos os que estão integrados ao processo.

Dentro de campo tudo ocorre de forma semelhante.

Quando um treinador tenta de todas as maneiras impor uma forma de jogar, fatalmente estará confrontando características de vários de seus jogadores e, consequentemente, limitando seus desempenhos.

Esse é o primeiro passo para a derrota coletiva, não só por culpa da parca utilização do potencial do time como também pelo sentimento nascente envolvendo o descrédito em sua capacidade de comando e entendimento sobre o jogo em si.

Nada pior para quem se mete a técnico de futebol do que ter em mãos um time que não acredita nele.

Questões como essas são, talvez, mais relevantes do que a peregrinação de um profissional por inúmeras equipes, como se cigano fosse, algo tão presente aqui debaixo do Equador.

Por outro lado, ainda que de forma empírica, quando um novo treinador chega a uma equipe, parece que uma transformação se instala e geralmente os resultados imediatos começam a acontecer.

Logicamente, não por causa da capacitação do recém-chegado, e sim pelo fato de que a mudança de comando gera ansiedade, mas também uma injeção de ânimo novo no coração daquela sociedade.

Uns lutam para preservar os postos conquistados anteriormente e todos os demais por acreditarem em uma nova oportunidade para desbancar os titulares.

Como podemos ver, nada nesse meio é simples nem coerente.

Trata-se, isto sim, de uma gigantesca guerra psicológica entre muros de qualquer instituição onde qualquer detalhe pode provocar o sucesso ou a derrocada.

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6 comentários em “Palavra do Magrão”

  1. Quero dar meus parabens ao Dr. Socrates pelo apoio que deu aos Gavióes da Fiel e à diretoria do corinthians prestigiando e desfilando por nossa Escola.

  2. Texto bastante sensato e coerente. Creio que a inspiração desse texto tenha sido gerada pelo caso Muricy/Palmeiras e, sendo assim, entendo que os jogadores tem corrido mais e/ou jogado melhor pela motivação gerada pela troca de comando. Sinceramente não acredito que houve boicote ao antigo treinador que, ao meu ver, é e continuará sendo uma pessoa ética e correta, mas que não foi feliz no Palmeiras.
    Fui um dos que não concordaram com sua saída, mas que também reconheço que ele esteve abaixo do seu potencial. Portanto, toda mudança gera novas esperanças que, para alguns, torna-se a última chance de mostrar se realmente fez por merecê-la.

  3. É PAULINHO O TEU TIME SÓ É BOM, QUANDO DESENTERRAM DEFUNTOS DO MEIO DO SÉCULO PASSADO POIS A PARTIR DAÍ SO GANHOU ALGUMA COISA COM O FAMOSO APITO AMIGO, PARECE QUE NEM COM UM DIRETOR BALANÇANDO NO SACO DO RICARDO TEIXEIRA VAI CONSEGUIR ALGUMA COISA

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