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Palavra do Magrão

Como formar novos craques?

Por SÓCRATES

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=5849

Acompanhando a Taça São Paulo de Futebol Júnior, podemos notar como as coisas mudaram.

Antigamente, era nos times de várzea que nasciam nossos grandes jogadores.

Neles percebíamos que a maioria era de negros e mulatos.

Havia (e há) aqui uma estreita relação com a distribuição racial no nosso País, formada basicamente por descendentes de africanos, apesar da importante presença de várias outras colônias de todos os continentes.

Para esses afrodescendentes, em razão de sua situação social que infelizmente persiste até hoje, o futebol sempre foi uma das poucas chances de ascensão na pirâmide econômica social.

Desde, é claro, que possuam talento para o jogo.

A elite, até meados dos anos 70, apesar de controlar o gerenciamento do negócio, pouco se interessava em ocupar os espaços existentes no trabalho dentro de campo.

Os jogadores de futebol, assim como as dançarinas de cabaré, os atores e os que militavam nas artes plásticas, eram pouco valorizados pela sociedade e mesmo discriminados.

Esta profissão popular sempre foi, porém, uma grande oportunidade para que os jovens mais carentes pudessem se colocar e assim criar mais perspectivas para suas vidas e de suas famílias.

O grande time do Santos dos anos 60, para termos uma ideia, possuía praticamente todos os seus titulares negros, em destaque e contraste com o uniforme absolutamente alvo.

Ainda não tínhamos a explosão demográfica dos grandes centros urbanos, o grande fator desencadeador do nascimento das favelas na quantidade e condições de hoje.

A falta de uma política rural adequada e a indução à industrialização atraíram milhares de pessoas, principalmente do Nordeste brasileiro – mais pobre e eternamente assolado pela seca e pelo descaso das autoridades – para as maiores cidades do País, em busca de trabalho e subsistência.

Inclusive o presidente Lula – e, de certo modo, eu também – foi um dos retirantes a abandonar a terra natal, na esperança de uma vida melhor.

Infelizmente, essa migração desenfreada, em vez de oferecer oportunidades, criou mais e mais dificuldades, pois na cidade eles não encontraram facilidades e tiveram de buscar soluções criativas para os seus inúmeros problemas.

E foram a falta de recursos para moradia e o abandono do Estado brasileiro os fatores que o empurram para a ilegalidade, invadindo áreas públicas ou não para instalarem suas famílias.

E foi nas favelas – símbolo cruel da nossa realidade econômica – que muitos dos nossos grandes jogadores cresceram.

Viver, mesmo que eventualmente, a realidade de uma favela é um fator promotor de ojeriza em parte da sociedade brasileira; aquela abastada que dá as costas para os imensos problemas sociais que vivemos.

Conhecer a miséria, o desencanto e o abandono jamais estará nos planos dessa gente.

É como se os favelados fossem gente diferente.

São vistos por duvidosa e aparência repugnante.

Um outro mundo, uma outra espécie.

Esse sentimento, tão endemicamente presente na consciência de tantos, é o pleno exercício da rejeição a que esta parte da nação está submetida.

Uma fatia imensa do nosso povo que é desprezada de forma torpe.

Essa imagem é, porém, mais que falsa.

Nesses bolsões em que se reúnem milhões de famílias, cujo único objetivo e concessão é resistir, há muita inteligência, ética e sensibilidade.

Talvez muito mais que nos salões da riqueza, aqueles que nos fazem um dos piores países do planeta em distribuição de renda.

São pessoas que sabem o quanto vale um abraço, o sorriso e o pleno exercício da solidariedade.

São mais gente que a gente que os despreza e lhes nega o olhar em qualquer esquina da vida.

Uma indigência somente material, mas que por isso provoca repulsa.

Como se isso fosse a posse mais importante que poderíamos carregar.

Mas são de uma dignidade espantosa.

Infelizmente, a realidade mudou e os times de várzea, aqueles que ainda resistem, estão com os dias contados.

E com isso detectamos uma queda na qualidade dos atletas que estamos formando nos dias de hoje.

Ainda que notemos alguns de notório talento, estes hoje são minoria, o que deveria servir de alerta aos nossos gestores, já que uma das mais importantes fontes de renda dos nossos clubes é a transferência dos nossos jogadores.

Eis aí uma cruel verdade.

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11 comentários sobre “Palavra do Magrão

  1. euclydes zamperetti fiori

    No todo concordo com Sócrates, no hj a exploração é maior, os Promotores Publicos verdadeiros que não querem aparecer + cumprirem o dever e obrigação poderiam apurar com detalhes.

    Creio que grande parte dos pais seriam chamados a atenção, visam os valores que seus filhos possam vir ganhar no futuro esquecendo que poucos chegarão, enquanto isto os filhos se iludiram, não estudaram alguma profissão técnica para garantir a caminhada no cotidiano, poderão sofrer consequencias gravissimas.

    Acorda Brasil

    zamperetti fiori

    cidadão e,
    ex-árbitro de futebol

  2. Paulo

    Rasinha, rasinha, a análise! Como “sociólogo”, o Magrão é um ótimo médico, ou deveria dizer ex-jogador de futebol?

  3. Helder

    Reclamações trabalhistas: Só por aqui?

    Existe um peso em desfavor de nosso Time de Coração quanto ao assunto imprensa. Infelizmente, profissionais que não privilegiam a ética quase têm “orgasmos” ao se depararem com quaisquer acontecimentos desfavoráveis ao São Paulo FC. Prova disso? Lembro aos irmãos tricolores da época das intrigas com Jérome Valcke (bem lembrado por Daniel Perrone http://colunas.globoesporte.com/danielperrone/2010/01/12/tabelinha-entre-tri-mundiais-103/ ), onde quaisquer alegações causavam interpretação contrária aos interesses tricolores (ainda que despretenciosas).

    O caso mais recente são as questões judiciais envolvendo o tricolor. Falam como se fosse a “coqueluche da estação”. A hipocrisia prevalece. Nunca se viu ações no futebol (sic).

    A fim de acabar com essa ‘propaganda’, que, de forma maliciosa, tenta nos dar o sentimento de que a “casa está caindo”, levantarei os processos, como fiz anteriormente com o SPFC, com relação a Palmeiras e Corinthians.

    Vamos ao comparativo!

    Nº de processos desde 2002/ processos em 2009 e 2010:
    – SPFC: 68 / 19
    – Palmeiras: 67 / 24
    – Corinthians: 102 / 41

    Exemplo de alguns jogadores que propuseram reclamação trabalhista em 2009/2010:

    – SPFC: Como já havia citado, citarei os principais – Aloísio, Leandro, Edcarlos, Tardelli, Júnior, Oscar e Diogo.

    – Palmeiras: David (hoje no Flamengo), Beto (hoje joga na Polonia), Christian (hoje no Fortaleza), Amaral (lateral que veio da base), Edmilson (não é o atual!), Marcelo Costa, Paulo Sérgio (atualmente na Portuguesa)

    – Corinthians: Marquinhos (base), Bebeto (ex-jogador em 2008 – veio para substituir Finazzi), Finazzi, Carlos Alberto, Gustavo Nery, Marcus Vinicius (base), Magrão, Michele (futebol feminino), Ricardinho.

    Ao fim, deixo-vos um recado: PETICIONAR, TODOS PODEM. TER DECISÃO FAVORÁVEL QUE É A QUESTÃO!

    Não há o porquê de se fazer tanto alarde em face do questionamento de inadimplência do SPFC. Isso é normal: não acabará hoje nem amanhã.

    E assim vão enriquecendo os advogados e empresários em cima das desavenças criadas entre jogadores e clubes…

    Por: Carlos Lima (Rerigueri)

    A INVEJA É UM SENTIMENTO LAMENTÁVEL, INFLAMA A IRA E ESCURECE A ALMA!

  4. JÔNEI, UM JUSTO

    *** Mensagem a Paulinho e a Andrade Neto, meu Mentor ***

    Caro Paulinho, seu blog é como uma segunda casa para mim. Meu porto seguro. Durante muitos anos peregrinei pelos mais ermos e escusos cantos da internet em busca da faísca do conhecimento e de companheiros dignos.

    Minha jornada solitária começou pelos idos de 1998, quando passei a frequentar salas de bate-papo estilo “chat”. Procurei ali amigos mas só encontrei desilusão, pessoas descomprometidas com a verdade, cultuadoras do corpo e do sexo avulso, materialistas e carreiristas em geral.

    Seguindo minha peregrinação em busca do Graal virtual caí no desgosto de participar de fotologs, orkuts, blogs duvidosos, fori de RPG, ocultismo, Pokemón e desenhos japoneses. Confesso que me perdi. Caí no mais fundo poço da ignorância e me deixei levar por influências do mal.

    Mas internamente minha pura alma não se dava por satisfeita. Uma voz dentro de mim dizia que em algum lugar da internet eu encontraria luz, justiça, verdade e amizade. Tamanho era meu conflito interno que quase me tornei um cardíaco, cheguei até a buscar conforto nas drogas lícitas como álcool, cigarros de tabaco e livros de auto-ajuda.

    E foi numa tarde ensolarada que aqui caí de pára-quedas, buscando no google informações sobre o Corinthians, meu time (àquela época) de coração.

    Insurgiu-se em meu peito naquele momento um sentimento de alegria e êxtase que me acompanha até hoje, diariamente, toda vez que acesso seu blog. Levanto minhas mãos aos céus todo santo dia para agradecer a existência deste espaço de tão nobre estirpe.

    Pessoas como você, Andrade Neto, Francisco Terra e mais recentemente o jovem Helder ajudam a dar sentido à minha existência. Reencontrei meu objetivo de vida, a luta inesgotável pela justiça e pelo bem-estar de meu pares.

    Confesso que às vezes fico meio triste com a ignorância de alguns que aqui se manifestam e muitas vezes nos atacam. Mas aprendi que nesta vida temos que ter compaixão com os seres menos favorecidos na escala evolutiva. Seu meu cachorro me morde não tenho como ficar bravo com ele, pois é de sua natureza irracional ser violento. Creio que agora entendo melhor a mensagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nos ordena oferecer a outra face quando ofendidos fisicamente.

    Não sinto mais raiva dos comunistas e demais analfabetos funcionais que por aqui abundam: trato-os como pequenos animais de estimação que não possuem o discernimento suficiente para compreender este fenônemo maravilhoso da vida, da magnânime existência terrena.

    Desejo a você, Paulinho, e a todos os justos que habitam este blog, como meu mentor Andrade Neto, Francisco Terra, Helder e outros, uma vida longa e cheia de luz.

    O problema do povo é justamente o fato de o povo não saber o que é melhor para si. Mas a sábia Natureza às vezes presenteia o mundo com anjos do saber, como é o caso de Andrade Neto, para facilitar e iluminar nosso caminho pelas estreitas portas que conduzem ao Reino dos Céus.

    *** Mensagem a Andrade Neto ***

    Título: “O florescer de uma bela amizade.”

    Caro Andrade Neto, minha presença neste blog muito se deve à sua pessoa. Desde os primórdios admirei o carinho com o qual V. Sa. trata nosso vernáculo, verdadeiro tesouro que possuímos.

    Comparo sua eloqüência à de gênios como Ruy Barbosa e Machado de Assis, brasileiros natos, líderes morais desta surrada e pobre Nação.

    Alegra-me muito a honra de poder participar da Trindade do Bem formada por V. Sa., Francisco Terra e por mim. Confesso que ainda não me sinto digno de tal empreitada, pois falta-me ainda subir muitos degraus para alcançar seu altíssimo nível na escada do intelecto.

    Tenho V.Sa. como um professor para a vida, um Homem à moda antiga, correto e sempre probo, professor este que nunca encontrei nas salas da faculdade, mas somente no blog do justo e escorreito Paulinho.

    És, Andrade Neto, meu mentor e meu inspirador. Almejo em minha vida seguir os teus passos e um dia encontrar a harmonia dos pensamentos, o discernimento e a virtude.

    Ajoelho-me perante sua presença e invoco aqui toda a gratidão divina para celebrar o início de nossa sincera e duradoura amizade. Como um cavaleiro templário me orgulho de poder juntar-me aos teus, nobres persecutores da ordem e do progresso.

    Conte comigo agora e sempre. Encontro-me armado até os dentes com o saber e com sede de justiça. Finco aqui minha bandeira e convoco todos os inimigos a um duelo à moda antiga, minha luva está pronta para arrebatar a face dos ímpios.

    Vim, vi e venci.

    JÔNEI, UM JUSTO

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