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O Museu Olímpico de Nuzman

Por ALBERTO MURRAY NETO

http://albertomurray.wordpress.com/2010/01/11/3268/

Quando Carlos Nuzman assumiu a presidência do Comitê Olimpico Brasileiro (“COB”), a sede da entidade era na Rua da Assembléia, No. 10, no Edifício Cândido Mendes.

Lá havia uma placa comemorativa, de bronze, com os nomes daqueles que integravam o Conselho Diretor do COB na  inauguração das novas instalações.

Uma das primeiras medidas de Nuzman foi colocar sobre aquela placa de bronze um poster qualquer, tampando os nomes ali escritos. Isso é doido.

E é a mais pura verdade.

Sem abordar o aspecto patólogico da questão, o ato foi uma grosseria com o então Presidente de Honra do COB, Sylvio de Magalhães Padilha, com seu próprio Vice Presidente, André Gustavo Richer, com o Membro do Comitê Internacional Olímpico, João Havelange, com os Membros Efetivos do Conselho Fiscal de sua gestão, Pedro Barros Silva e Sérgio Alvarenga, com Ramiro Tavares Gonçalves, Anísio Rocha, Jerônimo Baptista Bastos, entre outros.

Quando indaguei ao Richer porque Nuzman fizera aquilo, nem o ele soube explicar-me.

Disse-me que até o Havelange já havia pedido a Nuzman para retirar o poster e nem assim ele o fizera.

Nuzman tem uma ambição desmedida em fazer com se esqueça o passado, para que se dê a impressão que o esporte no Brasil começou com ele e que com ele terminará quando morrer.

A elaboração do sitio do COB na internet, elaborado por ele, também era deveras curioso.

Dava uma pincelada rápida na história do órgão para, em seguida, falar dele e de sua pessoa física (“jovem (sic) e dinâmico advogado carioca”, ele se intitula), por parágrafos e mais parágrafos.

Foi necessária a intervenção de Havelange para que o sítio fosse reescrito, fazendo alusão aos que vieram antes dele.

Quando houve em São Paulo um simpósio sobre olimpismo organizado pela Faculdade de Educação Física da USP, o COB de Nuzman era um dos apoiadores.

Por iniciativa dos próprios estudantes e professores daquela faculdade, haviam decidido fazer uma homenagem “pos mortem” a meu avô, Sylvio de Magalhães Padilha, que fora Diretor daquela Escola.

Os organizadores entregariam a nossa família uma placa homenageando meu avô pelos serviços prestados à Faculdade de Educação Física da USP, pelo grande Atleta que foi e por ter fincado as bases esportivas em São Paulo, criando competições de massa, nas escolas e nas universidade.

Quando Nuzman soube disso, ficou enfurecido.

Mandou um emissário dizer à organização que se tal homenagem fosse realizada ele tiraria o apoio, inclusive financeiro, do evento.

A USP bateu o pé e não cedeu à ordem de Nuzman.

Este, então, proibiu que na placa comemorativa estive escrito que o homenageado fora Presidente do COB.

Antes do início dos trabalhos, a Professora Marta Dallari (filha do meu dileto Professor Dalmo de Abreu Dallari), fez do palco uma bonita homenagem ao Major Padilha, tendo sido aplaudida de pé.

Em seguida, o então Secretário Estadual de Esportes e da Juventude Lars Grael, complementou tecendo palavras gentis “à marca indelével que o Major Padilha deixou para o esporte nacional”.

Lars é um gentleman.

O episódio foi-me relatado em detalhes pela organização do seminário.

Sei quem foi o emissário.

Por isso, quem não neguem a história.

Sou possuidor de um dos maiores acervos olímpicos do Brasil.

Certamente, tenho coisas que ninguém tem.

Além de tochas, medalhas, posters, Livros, vasto material olímpico, manuscritos de Atletas famosos, detenho, talvez, o maior arquivo fotográfico dos primórdios no nosso esporte.

Certa ocasião, quando pela primeira vez Nuzman falou que iria fazer o tal Museu Olímpico , com total boa fé, encaminhei-lhe algum material, cópias de documentos importantes, fotografias, Livros.

Nunca obtive qualquer resposta.

Não sei que paradeiro ele deu àquele material.

Por aí já se vê, que se Nuzman estiver à frente do COB quando da criação do tal decantado Museu Olímpico, qual será a qualidade e a credibilidade do material que será exposto.

Tomara que até lá Nuzman não esteja mais no COB.

Ou senão vamos ver nas paredes do museu uma sequência de fotografias do próprio, jogando voleibol, com as camisas do Macabi e do Botafogo, como se tivera sido um grande jogador, comparável a Xandó, Bernard, Renan, Carlão, Marcelo Negrão, Amaury, Tande, Dante, William, Maurício, André Nascimento, Marcelinho e tantos outros.

Nuzman quando abandonou as quadras, deu de presente uma placa comemorativa a cada um de seus companheiros de equipe.

Santa modéstia.

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5 comentários sobre “O Museu Olímpico de Nuzman

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