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Palavra do Magrão

A plena expressão do futebol

Por SÓCRATES

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Com a bola dominada, ele invadiu a área adversária. Tinha à sua frente apenas mais um defensor. Com o destemor dos que possuem sabedoria, em nada diminuiu sua marcha. A segundos do encontro definitivo, tocou levemente a bola para o seu lado esquerdo, desviando implacavelmente do obstáculo humano que se lhe apresentara.

Agora tinha o paraíso a seu dispor. Desesperadamente, o goleiro abandona a zona de proteção, para tentar imobilizar o agressor e impedir a sua mais fragorosa derrota. Não contava com o altruísmo do inimigo. Este, com um simples gesto, oferece a dois companheiros a chance de definir a jogada. Infelizmente, não o conseguem. Seria o desfecho plausível para a plasticidade de todas as ações realizadas, mas ficou no ar a bela impressão.

Essa sequência foi executada outro dia por um jogador de destaque em todas as qualidades descritas: simplicidade, generosidade, discrição e eficiência. Paulo Henrique Ganso, meia do Santos e paraense, como eu, é a plena expressão do que é o futebol. Em um time sem grandes estrelas individuais, ele chama a atenção pela forma como cose o novelo coletivo.

É a chama de solidariedade tão necessária nos esportes coletivos. É a referência suprema das ações de todos os vizinhos. E por isso é tão fundamental. Talvez poucos se deem conta de sua importância, mas quem observa esse jogo com os olhos dos atentos não pode evitar se impressionar com os resultados provocados por seus pés. Desde já o coloco no pedestal dos grandes craques que certamente ele um dia será. E para mim, sem dúvida, é a maior revelação deste Campeonato Brasileiro.

Imaginem jogadores desse quilate sendo mal aproveitados. Ou repousando em um banco de reservas qualquer, por pura falta de imaginação de seu treinador. Ou colocado em uma posição ou função que exija em demasia de seu físico, não sobrando tempo nem energia para fazer o que mais sabe: pensar e criar, provocando assim um ritmo dominante para sua equipe, com o objetivo de acuar o adversário e levar seu time a se aproximar mais facilmente da vitória.

É duro, não é? Pois esta é a mais pura realidade em nosso esporte bretão. Temos um sem-número de treinadores sem a mínima sensibilidade para enxergar que em suas mãos repousa um talento, um craque do mais alto quilate. E passam horas a tentar ensiná-los aquilo que estão cansados de saber: como encaminhar com maestria a pelota que, amestrada, faz deferência à sua delicadeza ao tratá-la de “meu amor”. Pois é, uma dupla formada ainda neste começo de ano demorou a encontrar a melhor forma de jogar junto.

Muitas vezes os via tão distantes que seria impossível esperar que eles um dia se tocassem ou trocassem um par de passes. Mas eis que por um acaso do destino um homem simples e desconhecido do chamado grande público é alçado à posição de comandante. E este surpreendente homem, que já os acompanhava de há muito, resolveu colocá-los próximos, livres e soltos, com toda a liberdade de que necessitavam.

Fez-se uma revolução na alma dos dois e na de quem mais com eles jogava. O time se tornou forte, robusto, apoiado nos pés desses dois gigantes, que libertos extravasaram as suas potencialidades pelos gramados deste imenso país afora, levando sua equipe à ponta da tabela com muitas chances de buscar o tão sonhado título. O homem simples e até simplório foi substituído, mas sua obra persiste de tão clara e fulgurante. Esse homem se chama Jorginho, a quem o Palmeiras deve a sua impagável ascensão. Desde já o coloco como o mais importante treinador da temporada 2009 do futebol brasileiro.

Ele, Jorginho, soube escalar seus mais talentosos jogadores. Enquanto pouco tempo antes os dois atletas se esforçavam para realizar tarefas hercúleas que pouco somavam às necessidades da equipe, com a mudança de posicionamento coube-lhes a gloriosa função de fazer o time atuar para produzir qualidade de jogo e respeito dos adversários.

Não há milagre nessa história. Só um pouco de bom senso e uma visão sensitiva correta para as coisas do futebol. Quem só sabe correr e marcar deve ser estimulado a tal e exigido como tal, porém, quem sabe conduzir uma equipe e tem como principal característica a arte e a beleza de seu jogo não pode ser trancafiado em locais inviáveis para tal. Diego Souza e Cleiton Xavier devem a Jorginho a oportunidade de mostrar a que vieram e as suas convocações para a seleção brasileira. E isso não é pouco, não!

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1 comentário em “Palavra do Magrão”

  1. O jogador foi brilhante mais o que sobrou dele é ultrajante a suas atitudes de quem sabe tudo sobre qualquer assunto é de irritar , o maior exemplo é o numero de comentarios sobre o q ele escreve, mais como jogador continua meu idolo

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