Advertisements
Anúncios

Os bandidos do Pan

O drible do ministro

Por JOSÉ CRUZ

http://www.dzai.com.br/blog/blogdocruz

A convite do ex-craque Raí, do São Paulo Futebol Clube, participei há poucos meses de uma reunião na capital paulista. Raí lidera o movimento Atletas pela Cidadania, de apoio às boas causas sociais, reunindo expoentes do esporte olímpico e paraolímpico: Magic Paula, Lars Grael, Gustavo Borges, Ana Moser, Joaquim Cruz, Fernando Meligeni, Rosane dos Santos, Gustavo Borges, Clodoaldo da Silva, Branca, Rogério Ceni e tantos outros.

Minha participação foi para apresentar algumas análises sobre o que temos e como são usados os recursos públicos para o esporte. Lá pelas tantas, entrou na pauta a questão do momento, os gastos do governo com a realização dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007. Era recente o primeiro relatório dos auditores do Tribunal de Contas da União (TCU), com indícios de irregularidades – superfaturamentos, principalmente.

Com base no que os auditores escreveram, manifestei aos atletas minha esperança de que teríamos um relatório final surpreendente e exemplar, assinado pelo então ministro do TCU, Marcos Vilaça, há pouco aposentado.

Até então apenas ouvindo, Cláudio Weber Abramo manifestou-se. Diretor da ONG Transparência Brasil, ele discordou de meu entusiasmo e sentenciou, para a decepção de todos:

     “Não se iludam. Isso não dará em nada”, afirmou.

Voltei aos argumentos otimistas e lembrei de um rápido encontro que tive com Marcos Vilaça, em seu gabinete. Na ocasião, ele recebia a visita do ministro do Esporte, Orlando Silva. Mais três ou quatro funcionários do TCU – imagino que fossem os auditores que trabalhavam no processo do Pan – estavam numa ampla sala.

Antes da primeira pergunta e adiantando que não tinha muito tempo para atender repórter, Vilaça foi direto em sua mensagem. Em resumo, disse o seguinte:

     “Estou explicando ao ministro Orlando que não é possível driblar a lei. Sei que estamos próximos da realização do Pan-americano e promover licitações agora pode provocar mais atrasos nas obras. Mas não tem desculpas, pois não podemos concordar com qualquer proposta em contrário”.

Ficou claro que Orlando Silva foi ao TCU pedir para “driblar a lei”, isto é, contratar obras e serviços sem licitação, uma afronta, uma agressão, uma fraude para quem conhece um mínimo sobre administração pública.

E insisti aos Atletas pela Cidadania que não deveríamos temer, pois o TCU seria, como é seu dever, rigorosíssimo, indiciando os fraudadores. Ricardo Vidal, que em Brasília dirige o Instituto Joaquim Cruz, estava nesse encontro de São Paulo e testemunhou a sentença de Cláudio Abramo:

     “Não se iludam. Conheço essa gente. Essa manifestação do ministro foi uma encenação”.

Passa o tempo e sai, enfim, o terceiro relatório sobre os gastos nos Jogos Rio 2007. E o que se constatou? Que, lamentavelmente, Cláudio Abramo tinha razão.

É preciso dizer que os técnicos, os auditores do TCU foram rigorosos. O levantamento que fizeram não deixa dúvidas sobre os deslizes cometidos com o dinheiro público, no Pan. Mas o ministro, em ato decisivo que antecedeu sua aposentadoria, foi complacente, omisso e parceiro do ato ilegal e imoral.

Pior: consagrou que sua declaração à imprensa, naquela reunião com Orlando Silva foi, de fato, encenação. No melhor estilo do drible da vaca, Marcos Vinicius Vilaça encenou o jogo da mentira e driblou a lei, como foi lhe propor o senhor ministro do Esporte. Por tabela, colocou na cara do gol da salvação e da impunidade o presidente do Comitê Organizador dos Jogos Pan-americanos, Carlos Arthur Nuzman.

Profissionalmente, confesso, tomei o drible da ingenuidade. Acreditei na autoridade, competência e firmeza de uma autoridade do TCU, Marcos Vilaça. Não honrou esses princípios.

Vilaça, que chefiou a delegação da Seleção Brasileira num jogo contra a Argentina, é amigo íntimo de Ricardo Teixeira, o que dispensa comentários para traçar um perfil mais fiel sobre o ministro aposentado.

Advertisements
Anúncios

Facebook Comments

4 comentários em “Os bandidos do Pan”

  1. O TCU é um órgão subordinado ao Poder Legislativo.

    Não possui autonomia nenhuma.

    Os auditores (os concursados) fazem o que podem, mas o máximo que conseguem é paralisar uma obra por um certo tempo, o que acaba sendo até bom para as empreiteiras, que aproveitam e pedem mais dinheiro ainda por conta do atraso. Depois um dos parlamentares acaba dando a ordem do tipo “não mexa nisso”.

    Não que eu ache que a Petrobrás não deva ser investigada, mas a treta lá é bem menor. Por que não uma CPI do Pan também?

    Isso só indica que gente de todos os partidos levaram o seu no Pan. E algo me diz que todos os partidos serão igualmente agraciados com o dinheiro da Copa.

  2. o que pode-se fazer diante do problema?? Se os auditores fazem o trabalho corretamente mas o responsável pela decisão mais importante ignora totalmente o relatório feito, a quem pode-se apelar por uma decisão correta?? MP?? quem é responsavel por fiscalizar o ministro do TCU???

  3. Os único que poderão dar um jeito em tudo isso é o POVO, mas continuam de braços cruzados, assistindo a tudo.

  4. ESSE EH O RAI, TERROR DO MORUMBI.
    E TEM GENTE QUE DIZ QUE ELE EH IRMAO DO SOCRATES, O APRECIADOR DE DESTILADOS, FERMENTADOS E AFINS…
    ***(*) ******(*)

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Olá, seja bem vindo ao Blog do Paulinho ! Deixe aqui suas dúvidas, sugestões e denúncias. Todas as mensagens serão lidas
Powered by
%d blogueiros gostam disto: