Por BONI

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Estão de parabéns o Governador José Serra e a Assembléia Legislativa de S. Paulo.

Por mais hipocondríaco que eu seja, não quero uma morte inglória como a de fumante passivo, o fumante de segunda mão.

Agora os que não tiverem força de vontade para se livrar desse maldito vicio ou pelo menos não conseguirem se segurar por algumas horas, serão gloriosamente expulsos dos restaurantes e lugares públicos ou então irão para o xadrez, onde também será proibido fumar. 

Fui personagem, há alguns anos, de um episódio curioso em Nova Iorque.

Eu jantava no Nobu, famoso  restaurante nipo-peruano, sucesso internacional do chef Nobu Matsuhisa, quando um cliente ao lado pediu um cinzeiro para fumar.

Com a recusa do garçon que explicou que era proibido fumar e que o restaurante tinha que cumprir a lei, o cliente acendeu um cigarro e começou a jogar a cinza dentro do pires de shoyo.

O garçon chamou o Richard, gentil e polido gerente e sócio do Nobu.

Richard pediu para que o homem apagasse o cigarro.

Como ele resistisse o gerente ordenou ao garçon que retirasse a vasilha suja de cinza, misturada ao shoyo e pedindo que o fumante se retirasse, mesmo sem pagar a conta.

Mas o suicida era teimoso.

Levantou-se e deu uma bofetada no gerente.

Como caía, lá fora, uma neve fina a mulher do infeliz tinha um guarda-chuva e levantou-se também atingindo o garçon com uma bela guarda-chuvada.

Havia um biombo de bambú e o sujeito jogou o biombo no chão.

Não demorou um minuto e os japoneses que serviam e preparavam os “sushis” partiram para cima do cara.

Sem agredi-lo, imobilizaram o cara com uma incrível habilidade nipônica e o colocaram no olho da rua, junto com a esposa, debaixo da neve, uma vez que o guarda-chuva dela se quebrara.

Passado algum tempo o cliente voltou com a polícia queixando-se de agressão.

O gerente alegou que não agrediu e sim foi agredido.

Eu fui chamado como testemunha.

Fomos todos para a rua ao abrigo do toldo do restaurante. Os policiais, extremamente educados, queriam saber porque o Richard não os havia chamado antes de colocar o viciado na rua.

Richard e o garçon explicaram que o cara estava agressivo e que além de um tapa na cara do Richard o garçon teve um guarda chuva quebrado na sua cabeça.

E que diante da agressividade ele foi retirado para proteção dos outros clientes.

Os policiais pediram mais duas testemunhas que se apresentaram voluntariamente.

Anotou nossos nomes e documentos, as nossas declarações e recolheu o casal ao camburão , informando que iriam para delegacia,  indiciados  não por fumar, mas por agressão e que  só sairiam mediante fiança.

O caso terminaria por aí se eu no dia seguinte não tivesse aceitado um convite para almoçar no restaurante de uma amiga.

Quando entrei, que surpresa: lá estava o casal.

Me olharam muitíssimo até que ele, também amigo da dona, perguntou a ela quem era eu.

Ela explicou e ele veio a minha mesa: -O senhor estava ontem no Nobu?

Disse que sim.

Ele se desculpou pelo incidente e voltou para a mesa.

Não fumou.

Não agrediu ninguém.

A impertinência dele deve ter custado caro. 

Aqui no Brasil a lei anti-fumo  é Federal e existe desde 1996.

No Rio é cumprida com rigor em todos os bons restaurantes, mas não nos bares e discotecas.

Está na hora de penalizar esses estabelecimentos.

Em São Paulo os restaurantes de boa comida também não permitem o fumo, já os frequentados por gente que vai para ver e ser vista, sem se importar com a qualidade, fazem vista grossa para os clientes  infratores.

Daí, talvez, a necessidade de uma lei Estadual mais completa.

Quando os fumantes alegam que estão sendo cerceados na sua liberdade eu, para ser dramático, costumo argumentar que é a mesma liberdade que teria alguém de entrar no restaurante com uma pistola e tentar o suicídio. 

A vida é dele, me dizem.

Ele tem a liberdade de fazer o que quiser com a própria vida.

Não é bem assim.

A bala certamente atingiria inocentes que estariam ao lado.

E suicídio é crime como é um crime fumar.

Não é que eu não goste de fumantes.

Tenho muitos amigos e até parentes idiotas que fumam.

Na prática é que eu tenho alergia e meu nariz entope.

E eu não quero ter enfisema, câncer e outros males sem ter tido culpa.

Além do mais o cheiro de fumo tira o perfume e o sabor de bons pratos e bons vinhos.

Fumantes vocês também estão de parabéns.

Agora, com a nova lei, possivelmente vão se livrar desse sujo e danoso hábito.

Agradeçam ao Governador e a Assembléia.

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