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Palavra do Magrão

Neymar, a bola da vez

http://www.cartacapital.com.br/app/coluna.jsp?a=2&a2=5&i=3853

Por SÓCRATES

Quem trabalha com futebol sabe que é extremamente complicado conviver cotidianamente com a emoção que o esporte desperta. Ao contrário de outras profissões, em que a qualidade é valorizada de forma regular e progressiva, com um tempo mínimo para a demonstração da capacidade de um indivíduo. No futebol, a valorização pode ocorrer já na primeira apresentação. E provocar uma brutal transformação na vida do profissional, que vai dormir desconhecido e acorda endeusado.

Essa dinâmica tem as suas vantagens e desvantagens. Ao mesmo tempo que isto pode acontecer como por encanto, o grau de exigência é exagerado. Provoca a obrigação de se comprovar semanalmente a capacidade ou, no caso brasileiro, a cada três ou quatro dias.

Quando se vive num ambiente em crise de relacionamento ou quando a necessidade de vitórias é urgente, alguns parâmetros passam a ser fundamentais para os obstáculos serem ultrapassados. As diferentes realidades provocam reações radicalmente opostas, exigem muita competência para ser bem assimiladas. Nesse instante, torna-se fundamental saber separar o personagem encarnado no campo de futebol do ser humano que somos.

O personagem é uma figura virtual, habitante do imaginário das pessoas, com múltiplas características não humanas, além de ser impiedosamente massacrado por opiniões, críticas e exigências. Estas, independentemente do gênero, devem ser analisadas somente como tal, não devendo ser transferidas para o “ator”, pois, se isso ocorrer, os danos serão muito maiores, visto que nos é impossível administrar tamanha carga de obsessão.

Saber conviver com essa dicotomia é uma arte que poucos dominam com maestria. Para entender um pouco destas particularidades, todas as pessoas envolvidas com futebol deveriam assistir aos dois filmes Boleiros, de Ugo Giorgetti, que nada mais são do que uma aula de antropologia e da realidade social desses indivíduos.

E é aí que entra a recente história do garoto Neymar. Antes de completar 17 anos, é tratado como craque consagrado, quando, na verdade, ainda usa “fraldas”.

Tentei imaginá-lo antes do seu primeiro clássico com casa cheia. O rosto de menino observando o horizonte distante, sem perder de vista os objetivos traçados. Sabe-se lá o que se passa por aquela cabeça. Que sensações fluiriam por aquelas artérias plenas de hormônios em absurdas concentrações? A ansiedade pelo instante que não tardaria a chegar se materializava nas contrações musculares que a face não conseguia controlar.

Lembrou-se das muitas vezes em que sentiu vontade de largar tudo e viver uma vida normal de menino. Mas a paixão pelo futebol sempre falou mais alto. Lesões decorrentes da falta de habilidade dos beques adversários jamais o abandonaram. Poderiam ter definido um futuro diferente a ele. A musculatura agredida e incomodada pelos frequentes traumas retraía-se em muitas situações, negava-se a responder aos comandos cerebrais.

Contrapondo-se ao desespero que insistia em reaparecer ciclicamente, pairava certa dose de confiança, vinda não se sabe de onde. Ali, na solidão do pensamento, surdo ao delírio da multidão que o esperava, podia se dar conta de que muita coisa ainda estava por vir. Levantou a fronte, passeou pelo gramado da vida.

Seus gestos são os de quem tem afinidade com a bola, ainda que ela o conheça há muito pouco tempo. Ainda não se deu conta de que para se aproximar da perfeição devemos ser simplesmente simples.

Não é titular absoluto do time do Santos, mas falta pouco. O tempo que hoje lhe é exigido não representará quase nada no futuro. A beleza que irradia e vicia é o dogma a ser verbalizado. Principalmente porque estamos carentes de conviver com a grandiosidade dos pequenos gestos.

O garoto de 17 anos terá, como sempre, de escorregar pelas tíbias maledicentes dos bárbaros zagueiros, perigosamente mais experientes. Terá de suportar a irracionalidade e a virtualidade do novo mundo, absorver grandes provações e também limitar gigantescos estímulos.

Sentado no banco de reservas ou assumindo a camisa 11, começa a conviver com as incoerências da nova vida. Contudo, o fato de ter tempo para assimilar o turbilhão dos últimos poucos meses lhe garante uma possibilidade ímpar de amadurecer. Sua pouca idade não será empecilho para o desafio, mas um impulso para os caminhos que ele deverá trilhar. Não tenho dúvida de que será brilhante. 

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2 comentários sobre “Palavra do Magrão

  1. yu

    sou fa seu magrado do brasil,seu tbm paulinho,MAS AS VEZES Nao concordo com tuas opinioes,democraticamente claro.

  2. yu

    paulinho vc parou de postar o compacto do cartao verde ne ,poderia voltalo a faze lo em abraço rsrs

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