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Sobre um grande ser humano

Por ROQUE CITADINI

Faleceu, nesta terça-feira, Lourenço Carlos Diaféria; nascido no bairro do Brás, em São Paulo, em 28 de agosto de 1933.

Jornalista, cronista, contista, autor de histórias infantis, e acima de tudo corinthiano, era casado e teve cinco filhos.

Começou sua carreira jornalística em 1955, na antiga Folha da Manhã, hoje Folha de S.Paulo.

Também foi cronista do Jornal da Tarde, Diário Popular e Diário do Grande ABC, além de ter atuado nas rádios Excelsior, Gazeta, Record, Bandeirantes e na TV Globo.

Em 1977, durante o regime militar, foi preso e processado com base na Lei de Segurança Nacional pela autoria da crônica “Herói. Morto. Nós”, considerada como tendo sido ofensiva às Forças Armadas. O texto criticava a veneração ao patrono do Exército, Duque de Caxias, em oposição ao fato de um soldado PM de Brasília ter sido devorado por ariranhas em um zoológico, quando tentava salvar uma criança. O jornalista, indignado, escreveu que enquanto vários mendigos, igualmente aos pássaros, faziam suas necessidades na estátua de Caxias, os verdadeiros heróis da pátria morriam defendendo o povo, aliás, dever de todo militar que tivesse o senso do dever de um soldado. Ao longo de algumas semanas, a Folha deixou o espaço destinado ao colunista em branco, em repúdio à arbitrária prisão. Diaféria permaneceu detido vários meses no DOICod, órgão ligado à violenta repressão do período. Católico fervoroso, durante a prisão, dedicava-se à leitura de “A Cidade de Deus”, de Santo Agostinho, e à oração dos salmos bíblicos.

Como escritor, é autor de “Coração Corinthiano” – notável história do nosso querido Timão -, obra de leitura e consulta obrigatória para corinthianos, esportistas e historiadores. Escreveu também “Um gato na terra do tamborim”, “A caminhada da esperança”, “O imitador de gato” e “Brás – Sotaques e Desmemórias”, entre outros.

Em entrevista concedida em 2002, declarou: “Real ou imaginária, a memória do escritor é a matéria-prima para criar a vida e as memórias alheias.”

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4 comentários sobre “Sobre um grande ser humano

  1. Pedro Santana Jr.

    Esse sim era um Jornalista com J maiusculo. Lourenço Diaféria!! Grande Lourenço Diaféria, humilde e inteligentíssimo.

    Hoje os jornalistas esportivos são gente medíocre e arrogantes como se fossem deuses.

    Até a ex-exemplar Jovem Pan testa a paciência dos seus ouvintes mantendo os empregos de psicopatas imbecis como Flávio Prado e outros que como se não bastasse as suas mediocridades confundem bom humor com achincalhamentos e comédias idiotas.

    Se a tradicional Jovem Pan faz isso, imagine o que faz a TV Band, a Rede TV, a TV Gazeta…

    Tenho certeza que não sentirei saudades algumas dessas mumias que se dizem “jornalistas esportivos”.

    Que saudades do Diaféria…

  2. Roberto

    Me lembro de ter ido comprar a Folha, só para ler o referido texto, que naquela época caiu como uma bomba de efeito moral na faculdade.
    Eu fiquei embevecido, pelo texto emocionante e corajoso. Ele não criticou Caxias, criticou o imobilismo, a omissão e a covardia. Os militares é que vestiram a carapuça.

  3. Alviverde/SP

    Apesar dele ser corintiano, não deixava de ler suas colunas na Folha…RIP, Diaféria…

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