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A incrível arte de tornar o fácil difícil.

Por VICTOR BLECKER (de Londres)

Como instituições, participantes do mercado que detêm o maior interesse no Brasil, que tem como público-alvo dezenas de milhões de consumidores, podem ainda trabalhar de forma completamente amadora e viver contando os “trocados”?

Se você ainda não sabe sobre o que estou falando, vou explicitar: estou falando sobre nossos clubes de futebol, clubes que possuem 10, 20, 30 milhões de torcedores e ainda não são capazes de lucrar com isso. Dizem por ai que o São Paulo tem uma ótima administração, que Corinthians e Flamengo estão inovando em ações de marketing, que o Palmeiras esta se renovando…tudo balela.

Existe um conceito de marketing sobre as orientações das empresas em relação ao mercado, orientações que podem variar entre produção, produtos, vendas e marketing e nossos dirigentes parecem desconhecer tudo isso. Vou explicar de uma forma bem simplória:

 

1.         Quando uma empresa foca a produção ela acredita que basta ter um bom preço ofertado e uma extensa rede de distribuição e vendas para obter sucesso. Seria algo como as camisas piratas que vemos por ai todo dia e cada esquina.

2.         O foco no produto funciona de outra forma, cria o que pode ser chamado de miopia empresarial. A empresa acredita que os consumidores dão preferência a produtos que ofereçam qualidade e desempenho superiores, mas esquecem de verificar a veracidade no mercado. E’ o caso de uma fabricante de material esportivo que oferta uma camisa a R$150,00 e vê suas vendas estagnadas.

3.         Vendas: As empresas acreditam que os consumidores não compram os produtos em quantidade suficiente e resolvem empreender um esforço agressivo em vendas e promoção. Seu objetivo e’ vender aquilo que fabrica e não fabricar aquilo que os consumidores querem. Um bom exemplo e’ a camisa roxa do Corinthians, que gerou muita polêmica entre os torcedores do clube e só foi usada oficialmente uma única vez.

4.         E por ultimo a orientação para Marketing onde a empresa busca satisfazer as necessidades do cliente por meio do produto/serviço e um conjunto de coisas associados a sua criação, entrega e consumo. A empresa entende as necessidades do cliente e busca satisfazê-las, gerando assim uma relação intensa de consumo.

 

Escrevi isso para que vocês que acreditam que o nosso futebol esta evoluindo abram os olhos e vejam a verdade por trás das mascaras. Os torcedores do Corinthians e Flamengo não adotaram as TVs dos seus clubes. A torcida do São Paulo não esta aderindo ao “batismo tricolor” e a do Palmeiras não esta interessada em comprar grama. Chega de farsa!

Qualquer marqueteiro sabe que para o sucesso de um negocio e’ preciso entender o cliente e antever situações. E’ inadmissível os clubes não terem nenhum tipo de relacionamento com sua torcida, nenhum tipo de estudo ou pesquisa. Com essas informações os clubes podem vender ingressos mais fáceis, eliminar praticas ilegais, vender mais produtos licenciados e encher mais os estádios. Com o resultado teriam mais receita, melhores jogadores, mais títulos, melhores contratos de TV e patrocínio e ai a bola de neve segue sozinha. A matemática e’ simples!!! Basta acordar, e temos de cobrar.

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6 comentários sobre “A incrível arte de tornar o fácil difícil.

  1. Pozzi

    Ô Blecker
    o basicaum do business eh esse mesmo, mas “acordar” pra brazuca torcedor significa apenas leventar mais cedo.
    as premissas empresariais na terrinha naum valem picas, soh vale sacanagem de cartola levando por fora, negocios sujos de grupelhos aplicando em jogadores, bandidos organizados faturando com drogas e mancomunados com dirigentes e orgãos publicos corrompidos, tamo muito farway de londom kra…

  2. Rômulo

    Texto fantástico…
    Porque será que nossos dirigentes do século passado não entendem isso? Porque não temos nenhum dirigente do século 21?
    Já passou da hora do futebol pentacampeão acordar pra vida.

  3. Edson Albino Ursini

    Ótima idéia a sua, Paulinho, de publicar esse texto maravilhoso.
    O Victor, dá de graça, tópicos, para uma gestão mais profissional e atual.
    Bem diferente daquilo que nós temos hoje.Se bem, que em alguns clubes, já existe algum movimento, nessa direção.
    Mas, o que o Victor não disse textualmente, e sim nas entrelinhas, é que enquanto nossos clubes não virarem empresas, na acepção da palavra, mudanças de postura como as propostas, jamais acontecerão.É inacreditável, que por exemplo, um clube como o Palmeiras, não conheça, como consumidor, 12 milhões de palmeirenses.Ou o Corinthians, com seus quase 30 milhões .Ou o Flamengo, e por aí vai.
    Esse conceito de empresa / produto e consumidor, só vai se estabelecer, quando os clubes virarem sociedades anonimas, e aí por força do seu contrato social e do proprio mercado, as ferramentas ( na verdade, a receita do Sr.Victor), serão devidamente usadas.
    Pensando no futebol, como negócio, eu imaginei porque o Bradesco S/A, por exemplo, não investe no Corinthians, ou no São Paulo, ou no Gremio.E cheguei a conclusão de que isso não ocorre, pelo simples fato dos clubes não serem empresas, com contrato social, balanço, ações, etc, etc.Claro que o Bradesco não vai investir num negócio absolutamente instável e sujeito a administrações desastrosas e personalistas.Em suma, ninguem vai por dinheiro bom, num negócio ruim.Ruim, por falta de postura administrativa e gerencial dos clubes.Não há segurança, nem transparencia para os investidores.Na outra ponta, não há retorno, nem beneficio para o consumidor.Enquanto isso, vamos fabricando jogadores e craques e vamos vendendo-os, a preço de banana.Vamos frequentando estádios, sem o minimo de segurança e conforto.Vamos pagando quatro vezes mais o preço da entrada.Vamos ficando algumas horas na fila, para ver um jogo qualquer.É de dar raiva.Ainda mais, quando vemos os campeonatos europeus.Eles são exatamente o que deveriamos ser, em termos de estrutura.Os campos, são feitos uma mesa de bilhar, nova, onde desfilam os nossos Kakas, Ronaldinhos, Henriques, Freds, Juninhos . . .
    Aí recorremos a filosofia: não há mal, que sempre dure . . .
    Lamentável.E triste.
    Mais ou menos, igual ao nosso querido País.

  4. rafael

    arsenal mal consegue pagar as pequenas parcelas de 24milhoes de libras por ano do seu estadio, que por sinal eh belissimo

    e o liverpool deve as calcas para bancos e credores

    nao eh bem assim nao

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