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Entrevista com o Magrão

Da Gazeta Esportiva

http://www.gazetaesportiva.net/entrevista/futebol/ent205.php

Gazeta Esportiva.Net – Você foi um dos grandes nomes da seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1982 e 1986. Como analisa o atual momento da equipe brasileira, quinta colocada nas Eliminatórias?

Sócrates – Não é de hoje que estamos agredindo a nossa cultura futebolística. Nosso futebol não é esse. Estamos trilhando um caminho que não é nosso e seguindo culturas mais pragmáticas, como a inglesa e a alemã, mas o futebol brasileiro é criatividade, beleza, espetáculo.

GE.Net – E qual a saída para a seleção voltar a jogar um futebol bonito?

Sócrates – Espero que a vitória da Espanha na Eurocopa possa mudar a tendência mundial e que o futebol brasileiro possa ter novamente uma filosofia voltada para o espetáculo.

GE.Net – A demissão do Dunga do comando da seleção é o 1º passo para recuperar essa filosofia? Quem é o técnico ideal para você?

Sócrates – O futebol brasileiro tem que reencontrar o caminho que nunca deveria ter perdido, mas o nome do técnico que comanda a seleção é o de menos. O que conta é a idéia, a filosofia. Não dá para imaginar o futebol brasileiro triste. Seria como tirar o Carnaval do povo. Temos que deixar fluir nossa cultura, pois nosso futebol é alegre.

GE.Net – Dizem que não há mais jogadores talentosos no Brasil e que foi por isso que a forma de atuar mudou. Você concorda?

Sócrates – Não. É claro que não dá para comparar a qualidade técnica de hoje em dia com a de 20, 30 ou 40 anos atrás, mas o talento existe. O problema é que os jogadores estão amarrados, pois, quando a filosofia restringe a sua liberdade, você fica acanhado. Mesmo assim, há muitos jogadores brasileiros em destaque atualmente.

GE.Net – Você teme pela campanha nas Eliminatórias? Acha que o Brasil corre o risco de ficar fora da Copa de 2010?

Sócrates – Não. De jeito nenhum. Independentemente dos problemas que a seleção está enfrentando, ela ainda não tem adversários. A equipe terá que fazer muito esforço para não ficar ao menos entre os cinco primeiros. Se fosse como na minha época, com divisão de grupos, poderia até ser…

GE.Net – Falando agora de Corinthians: como você vê a atual situação do Timão?

Sócrates – Aquele momento mais difícil, o momento da queda, passou. A equipe fez boa campanha na Copa do Brasil e também está bem na Série B. A tendência é de crescimento.

GE.Net – Tem muita gente dizendo que o time já garantiu a vaga. Você, que já teve a experiência de jogar a Segundona, concorda?

Sócrates – Eu joguei uma Segundona falsa (risos), pois, na época da Taça de Prata, os melhores subiam para a elite no mesmo ano. Eu não acho que o Corinthians já voltou. Ele tem uma vantagem grande, principalmente porque no começo do campeonato houve um respeito muito grande pelo Corinthians, mas agora começou a complicar. Acho que vai ser mais suado do que o corintiano espera.

GE.Net – Então você acredita que a volta para a Série A corre riscos neste ano?

Sócrates – Risco sempre há, mas no Corinthians há pessoas com competência para entender as dificuldades e superá-las. As condições para o time subir de novo para a Primeira Divisão são bastante favoráveis e acho que é natural que isso ocorra.

GE.Net – Você sempre foi uma pessoa muito ligada aos movimentos políticos, tanto que é um dos responsáveis pela Democracia Corintiana. Vê com bons olhos a vitória do Roberto Dinamite para presidente do Vasco, seguindo o exemplo do Michel Platini (francês, presidente da Uefa) e do Rumenigge (alemão, presidente do Bayern de Munique)?

Sócrates – Acho que pode ser importante para contaminar outras áreas do esporte no Brasil. Será uma mudança de filosofia interessante em termos de gestão, pois, para assumir cargos de gerenciamento no esporte, a pessoa tem que ter experiência dentro dele. O Platini e o Rumenigge foram escolhas naturais, pois estão levando para fora do campo a experiência que acumularam quando jogaram.

GE.Net – Você nunca pensou em exercer algum cargo diretivo no futebol?

Sócrates – Nâo era uma idéia muito forte não, até porque aqui no Brasil não se dava muita importância a isso, mas, no futuro, pode ser. Acho interessante, pois há eleição direta e eu participei disso. Penso em me aproximar e, quem sabe, ficar mais por dentro da situação do Coringão. Por que não?

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4 comentários sobre “Entrevista com o Magrão

  1. euclydes zamperetti fiori

    Pô ñ fizeram ao Socrates a pergunta sobre politica Qual a opinião do mesmo sobre o Lula e seu governo?
    E outra o que magrão acha do patrimonio de Lula e de seus filhos, se num ontem ñ muito distante se dizia trabalhador e metalurgico, que era e é amigpo de Roberto Teixeira o dono ou truta dos seus negócios?
    Paulinho, faça uma entrevista com Sacrates e lhe pergunte o acima,
    grato.
    Acorda, Brasil

  2. Fernando Santomauro

    Dr. Sócrates para presidente do Timao!!
    Tostao para presidente da CBF!

  3. euclydes zamperetti Fiori

    E (W) Vanderley Luxemburgo para presidente do Brasil, como ministro das finanças Ricardo Teixeira, da Fazenda Eduardo José Farah e dos negócios Nusmam, do Juridico: Roberto Teixeira o amigo do Lula, é mole ou querem mais.
    Acorda, Brasil.

  4. emir

    Ver o Magrão na presidência do timão é um sonho que quero ver realizado antes de eu morrer. Só no corinthians para ter um cara desse como ídolo. Médico, politizado, gênio, falando e escrevendo. O Sócrates é motivo de orgulho para todo corintiano.

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