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Blog do Paulinho

No Futebol, a Batalha dos Direitos

Luiz Gonzaga Belluzzo
De São Paulo (SP)

http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI2737568-EI8212,00.html

“Sou homem e nada do que é humano me é estranho.” (Homo sum et nihil humani a me alienum). A sabedoria dos soberbos trata a questão humano-futebolística com desdém. Terêncio e o maior admirador de sua frase não fariam cara feia diante da polêmica travada em torno do local do segundo jogo da semifinal do Paulistão.

Avaliada sob escrutínio dos critérios e valores da vida moderna – aqueles que felizmente sobrevivem aos freqüentes soluços da barbárie – a controvérsia político-esportiva foi, no mínimo, pedagógica em seu significado. O desenvolvimento do conflito de opiniões, os pronunciamentos das autoridades, as críticas da mídia permitiram perceber que, entre o palestrinos, a questão crucial era a do reconhecimento de seus direitos. O Palmeiras nada mais fez do que assegurá-los. Ponto, parágrafo.

Fosse o gesto palmeirense interpretado como uma “vitória” na “guerra dos bastidores”, alcançada com o recurso da mobilização de autoridades, não valeria a pena. Nada valeria, porque, então, a alma seria pequena. O uso secular do “cachimbo oligárquico” deixou torta a boca da turma habituada a tramar ardis nos subterrâneos da política para ganhar “fora do campo” e massacrar o direito dos adversários. Remember 1942.

Rejeitamos a “batalha dos pistolões”. Travamos uma guerra de argumentos, como cabe aos humanos que aceitam as regras do debate civilizado e desimpedido, sempre admitindo que os resultados possam contrariar nossos interesses mais imediatos. A chamada “mídia palestrina” compreendeu que o direito de disputar um dos jogos da semifinal no Palestra não garante a vitória sobre o São Paulo. Apenas estabelece o princípio básico da disputa esportiva moderna: a igualdade de condições entre os competidores.

Nos sites e blogs palestrinos espalhados na Internet, em muitos deles, percebo esse espírito de resistência, a recusa à submissão diante dos poderes que não querem ser interpelados e muito menos contrariados. Não importa se tais poderes estão abrigados no aparelho de Estado ou submersos na maquinaria das grandes empresas de comunicação. As prepotências da superioridade presumida e da espetacularização midiática encontram, agora, resistência na obstinação dos blogs e sites comprometidos com o esclarecimento de seu público torcedor.

Se o assunto é futebol, certa dose de maniqueísmo é quase inevitável. Mas há que conter os exageros. A maioria, no entanto, sem as pretensões dos “eleitos do saber e da opinião”, ao falar do jogo da bola e de seu clube protagoniza a luta pelo reconhecimento de sua condição de indivíduo livre e sujeito de direitos.

Há quem diga que o Brasil, ao promulgar a Constituição de 1988, entrou tardia e timidamente no clube dos países que apostaram na ampliação dos direitos e deveres da cidadania moderna. É uma avaliação equivocada. Submetidos ao longo de mais de quatro séculos, à dialética do obscurecimento, aos paradoxos grotescos que regem a vida política e as relações de poder numa sociedade de senhoritos e seus asseclas, os brasileiros começam a desenvolver a autoconsciência própria do indivíduo moderno.

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11 comentários sobre “No Futebol, a Batalha dos Direitos

  1. Daniel

    Também vi este texto no site do Verdão… Parabéns, Paulinho, pela imparcialidade e pela coerência…

    Abraços

  2. Osnes Feitosa

    Belluzo alem de genial, é de uma elegancia impressionante.
    Seu juvenal tera de passar alguns dias sem beber seus Whiskys para entender pelo menos o primeiro paragrafo.

  3. Marcello

    Num mundo de Mustafas, Cunhas, Sanchez, Langs, Dualibis, Teixeiras, Marco Polo, etc, alguém como o Belluzzo parece uma ilha.

    Ter um Belluzzo, não só no Palmeiras, mas no futebol em si é um luxo, um privilégio.

  4. Denilson Martins

    Belluzzo é um mitômano, ao afirmar mentiras sobre 1942, e omitir que a presidência de seu clube racista e anti brasileiro, queria os dois jogos no Morumbi, pra poder recuperar um pouco os prejuízos, visto que adiantou o dinheiro da Adidas para 2008 em outubro de 2007, adiantou o dinheiro da fiat pra 2008 em dezembro de 2007, repassou os direitos de televisão pra 2008, em empréstimos junto a FPF, e pior, emprestou ainda 6 milhões de reais do Banco Baniff, pra saldar os atrasos nos salários.

    A diretoria palmeirense queria os dois jogos no Morumbi, o acordo só não saiu, porque o SPFC queria também dividir a renda, o que não foi aceito, pois acham que em seu mando ( segundo jogo ) ela seria bem maior.

    Diante do impasse, e da pressão da sua própria torcida, legítima aliás, os diretores do palmeiras voltaram atrás, tentaram levar o segundo jogo pra Ribeirão Preto, já tinham tudo certo, mas aí o SPFC se recusou a dividir as duas rendas,

    então, diante de novo impasse, resolveram marcar o jogo pro Palestra, que nunca esteve vetado, e o conselheiro palmeirense que é presidente da FPF, atendeu protamente.

    Ou seja, o palmeiras está cheio de dívidas, logo logo vão bater as suas portas os credores, o time precisa muito de dinheiro, o lobby pra vender Valdívia começou com 3 meses de antecedência, mas ninguém quer pagar os 12 milhões que querem, não tem mais fonte de renda, visto que tudo já foi adiantado, sobrava a bilheteria, mas essa, não será tão grande assim.

    Será que o obtuso Belluzzo será corajoso o bastante pra assumir estes “pepinos” da arrogância financeira que apregoam? Esta sim legítima, fruto de um clube que acha que realmente é maior do que todo mundo, apenas por uma questão digamos, racial, pois nunca se imaginam brasileiros, e acham que os brasileiros legítimos, são apenas seres inferiores.

  5. Luiz Henrique(S.E.PALMEIRAS)

    Macello eu ia escrever a mesma coisa que você, o Belluzo uma pessoa elegante como disse um blgueiro no post acima exemplifica no texto oq se tornou a MIDIA no atual momento do nosso país, estamos num momento importante na história do nosso país e isso nada tem haver com o jogo, mas sim com a MIDIA ser curvando aos desejos do povo ou melhor dizendo, da justiça.

    Parabéns Belluzo espero que esse espirito de justiça seja agregado a SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS, nós PALMEIRENSES merecemos isso!

  6. mauro

    denilson, vc realmente acredita no que escreve? acusando os outros de racismo, de não querer ser brasileiro… tá querendo reeditar 42, é?

  7. Daniel

    Denilson, em 42 o São Paulo, time dos finórios, tentou, covardemente, roubar o estádio do Palestra Italia, e, para evitar isso, em abril de 42 o Palestra Italia se tornou Palestra de São Paulo e, em 20 de setembro de 42, entrou em campo na decisão contra o seu time com o novo nome, Palmeiras, carregando a bandeira do Brasil… 3 x 1, e vcs fugiram de campo aos 20 do segundo tempo, temendo uma goleada maior… Uma faixa no Pacaembu dizia tudo: “MORREU O LÍDER E NASCEU O CAMPEÃO!” Historicamente o tricolor sempre fechou com a federação e fez trapaças contra o Palmeiras… em 71, após ter vencido o paulista de 70 com a ida do governador do estado Laudo Natel a Campinas para pressionar o juiz, o Armando Marques anulou um gol legítimo de cabeça do Leivinha e falou que foi com a mão… em 72, houve o mesmo choro pra jogar a decisão no Morumbi, mas o mando era do Palmeiras que, pra combater a canalhice são-paulina, exigiu que o jogo fosse no Pacaembu… Palmeiras dominou o jogo e o empate de 0 X 0 lhe deu o título invicto… Em 20 de fevereiro de 74, na decisão do brasileiro de 73, novo 0 X 0 e Verdão bicampeão brasileiro, em jogo que mais uma vez perdemos vários gols e em que Ademir da Guia acabou com o papo do Forlan, que queria ganhar o jogo no grito…

    Saudações palestrinas
    CAMPEÃO DO SÉCULO, ACADEMIA, AQUI É PALESTRA!

  8. Marcello

    Caro Mauro, nem ligue, a peça chegou de Marte ontem. Se for paulistano, pior ainda, não sabe nada da história da sua terra. Se conhece a história, é só má fé, e sendo assim, a única saída é igonorá-lo. A Internet é fantástica, mas uma das suas desvantagens é criar milhares de “corajosos virtuais”. A maioria não peito da falar nada na cara dos outros. Principalmente os torcedores do clube do esgoto, “jogo da barrica”, 1942, Laudo Natel, biônico sentado à beira do campo a +- 10 km do DOI CODI, etc, etc, etc.

  9. Caio

    Denílson, meu caro: não era a torcida do São Paulo que se referia a corinthianos, palmeirenses e santistas como FAVELADOS, CARCAMANOS e PEIXEIROS? Olha pro rabo sujo do seu time antes de acusar os outros…

  10. Alviverde/SP

    Falou tudo, Prof.Dr.Belluzzo!!!!! Não ligue para certos PRECONCEITUOSOS…

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