Do blog “Entrelace”
Por Vanessa Ruiz
Repórter do sistema Globo de rádio
http://vanessaruiz.blogspot.com/
Vamos subir, Lusa”?
Poucas coisas são tão interessantes para mim quanto acompanhar a Série B do campeonato nacional por incontáveis características suprimidas da Série A, em conseqüência da burocracia excessiva adotada pelos clubes que disputam a primeira divisão. Minha experiência é com a Lusinha, a Lusa Veneno ou, como prefere Lucas Santocchi, Associação Portuguesa de Desportos.
A proximidade com os jogadores remonta a tempos antigos. Na última rodada do primeiro turno, o assessor de imprensa da Portuguesa não esteve em Criciúma/SC e, portanto, meu trabalho dependeu única e exclusivamente de mim. Parece estranho à primeira lida, mas, na Série A, poucos são os repórteres que conseguem contato direto com jogadores e dirigentes, já que tudo é centralizado na (e blindado pela) assessoria. Só mesmo aqueles que acompanham o clube por um tempo considerável conseguem a proeza de burlar o protocolo.
Abri a porta do vestiário: nem todos estavam, digamos, totalmente vestidos. Gritei pelo Diogo, jovem artilheiro do time na competição, que passava de calção. Ele saiu, deu entrevista tranqüilamente. Imagine se fosse o Dagoberto? O Petkovic, o Edmundo? Possivelmente me ignorariam ou pediriam para os seguranças fecharem a porta.
As entrevistas coletivas pós-jogo no Canindé também são curiosas. Primeiro vem o técnico Vagner Benazzi. Fala, fala, fala; quase sempre desenvolve ao menos um assunto a mais do que o que foi perguntado. Melhor assim! Depois, vem um jogador. Mas nem sempre as rádios ainda estão todas no ar nesta hora. Por mais de uma vez coloquei o jogador na escuta da Rádio Globo para entrevistá-lo junto com o Tiago (Toricelli) e o (Osvaldo) Pascoal, âncora e comentarista. Fácil; sem precisar quebrar regras tácitas como as existentes na divisão principal.
A torcida da Lusa é uma das mais bravas. Ainda não os encarei em dia de mau humor, mas o quebra-pau costuma ser dos feios.
Por estes dias, precisei entrevistar o presidente do clube no intervalo do jogo em Santo André. Que Marcelo Teixeira desceria para falar comigo? Mas o seu Manuel da Lupa estava lá.

