A polêmica continua

Por Vitor Birner


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Corinthians e FPF contra o Morumbi na Copa do Mundo. Apenas o interesse de um deles tem explicação.


O presidente da Federação Paulista de Futebol, Marco Polo Del Nero, deseja construir uma arena para a Copa do Mundo do Brasil, em 2014.


Ele tentou, como pôde, evitar a escolha do Morumbi.


Não tem lógica.


As federações deveriam trabalhar a favor de seus filiados, mas como isso, em regra, não acontece, até aqui, não há novidades.


Sem sucesso, Del Nero ainda não desistiu. Mudou os planos. Repassou o projeto ao Corinthians, aproveitando a campanha anti-Morumbi de Antônio Roque Citadini.


O desejo do presidente do Conselho de Orientação corintiano é compreensível. Citadini quer a presidência do clube e por ser competente, enxerga mais longe que os atuais mandatários, preocupados com parcerias macabras e processos criminais.


Ele sabe que para tentar superar o São Paulo, seu maior rival, vai precisar de um bom estádio.


O interesse da Federação é que não compreendo.


Qualquer estudo simplório mostrará que assumir os custos Pacaembu sai mais em conta.


O estádio dá prejuízo ao Município. É fácil fazer o acordo. Basta respeitar o tombamento e os moradores da região que usam as instalações.


Lembro que a Federação Paulista enriqueceu na gestão de Eduardo José Farah, presidente entre 1988 e 2002, mesmo período em que os clubes empobreceram.


Del Nero foi figura importante na administração Farah, pois presidiu o Tribunal de Justiça da entidade enquanto o ex-presidente deu as cartas.


Também acho estranho tanto anseio de cooperar com o Corinthians.


Se essa fossa a intenção, o time estaria no projeto desde o início.


Além disso, teria sido bem mais construtivo interferir no acerto da parceria com a MSI, maior responsável pela complicadíssima situação corintiana.


Por isso mais uma vez pergunto. Qual a razão de trabalhar contra o Morumbi?


Precisa ter pelo menos uma!


Ainda bem que todos cartolas são honestos na federação, pois caso contrário, eu desconfiaria que mais do que a desesperada vontade de presentear o país com um novo palco para o futebol, a cartolagem quer ter acesso ao dinheiro do contribuinte que seria utilizado na construção.


Ora, se levantar o novo estádio é bom negócio, que a Federação o faça independentemente de sua utilização no mundial.


A Copa do Mundo só pode facilitar um aspecto.


O acesso à verba pública, pois se trata de um compromisso que envolve a imagem do país do futebol.


Eu sou contra a Copa do Mundo no Brasil, mas como ela acontecerá aqui, as opções mais baratas são as minhas.


Reformar o Morumbi custa menos que levantar outro estádio.


Se mostrarem o contrário, mudo de lado.


Além disso, a direção do São Paulo garante que não usará dinheiro do contribuinte na reforma, o que faz toda a diferença.

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