Leiam, é imperdível !
Do blog Trivela
http://www.trivela.com.br/index.asp?Fuseaction=Blog&id_secao=50
Terça-feira, 21 de agosto de 2007
Depois que citamos há alguns dias a calazanização do jornalismo esportivo brasileiro, ficaram algumas dúvidas sobre esta tendência redacional atual. Aqui vai, portanto, um glossário dos novos termos da análise prática de nosso jornalismo esportivo. Um glossário, diga-se, totalmente “caiomaísta”, ou seja, sem muita base nos fatos, mas cheio de vontade de causar confusão! Aí vão as principais correntes:
Miltonevismo: tendência que não vê diferenças entre conteúdo jornalístico e espaço comercial. Costuma confundir os que não fazem o que eles querem com inimigos da nação, passíveis de punições como notícias plantadas e insinuações maldosas que não podem ser respondidas.
Lancelotismo: corrente que inventa, ou melhor, apimenta descaradamente informações para fingir que sabe algo que ninguém mais sabe. Quando pegos com a boca na botija, não vacilam: inventam, ou melhor, apimentam, mais uma mentira, ou melhor, informação não muito exata, do tipo “era assim, mas agora mudou”.
Calazanismo: corrente formada por jornalistas honestos, que gostam do futebol e gostariam de melhorá-lo, mas que vivem de um passado que nunca existiu. Como todos os cronistas esportivos de décadas atrás, acham que os times de futebol deveriam ter onze atacantes, se não é retranca. Time com defesa boa, então, sai fora! Se defesa fosse bom, a Itália ganhava alguma coisa.
Galvãobuenismo: uma mistura de todas as anteriores, sem a honestidade dos calazanistas. Os galvãobuenistas mudam de opinião com freqüência inacreditável, sempre de acordo com o pensamento da direção, é claro.
Paulocobismo: os paulocobistas são os especialistas em estatísticas esdrúxulas. Oscilam entre um “Seleção facilita o caminho para o exterior” (será?!!!!) e comparações entre terceiras rodadas de campeonatos.
Pevecismo: corrente moderna, infelizmente ainda pouco difundida, que acredita que, para comentar futebol, é preciso assistir jogos, conversar com treinadores e estudar. Assemelha-se ao maurocezarismo.
Ubiratanlealismo: nova versão do avalonismo, mas bastante melhorado. Os ubiratanelalistas não dormem, têm informações sobre times de lhamas que disputam a terceira divisão do Peru e levam suas esposas para ver jogos do Verona em plena lua de mel.
Celsounzeltismo: a exacerbação do ubiratanlealismo, com alguns anos a mais. Não há nada sobre futebol que os celsounzeltistas não saibam. Assim como os ubiratanlealistas, porém, não ficam enchendo o seu saco se você não perguntar nada. Em comparação com os ubiratanlealistas, levam desvantagem nos conhecimentos sobre lhamas e decoração de interiores.
Jucakfourismo: corrente cada vez menos difundida. Os jucakfouristas acreditam no Brasil, e acham que nosso futebol poderia ser sério e bem administrado. Chegam ao cúmulo de estender essa fé ao país como um todo, e cobram, veja você, honestidade e seriedade não só de dirigentes esportivos como também de políticos! Como têm que agüentar porrada de todo lado, são realmente muito poucos.
Renatomauriciopradismo: os renatomauriciopradistas estão convencidos de que o mundo fica na Gávea. Mais: acreditam que é possível entender profundamente de todos os esportes existentes, do boliche à cacheta. Têm, porém, um forte pelo comentário dos atributos físicos de tenistas.
Paulocesarvasconcelismo: estes vêm o mundo em outro lugar, no Leblon, mais exatamente na rua José Linhares, nas mesas do Bracarense. Costumam achar que as conversas que têm por ali podem ser levadas à televisão, e passadas como “análise”. São chegados também em metáforas do tipo: “Tal jogador é que nem aquele garçom que você não consegue chamar nunca, sabe como é?”
Noronhismo: tendência quase extinta. Seus seguidores dormem durante as partidas para poupar energias para os comentários do meio tempo.
Fernandovanuccismo: Ah, Itááááááááááááááália! Cannavarrrro! Totti! A África do Sul é logo ali. Precisamos reformular, mudar, ou… mudar de vez.
Arnaldocesarcoelhismo: os adeptos desta tendência, que jpa foi conhecida como “corporativismo”, acham que “tá cerrto o juiix “.
Marcosguiottismo: tendência que exacerba o paulocesarvasconcelismo, mas à mineira. Os adeptos desta teoria também não assistem jogos de futebol, mas os comentam. E com autoridade! Assim como seus co-irmãos, são chegados a uma piadinha para disfarçar o que não sabem bem.
Mauricionorieguismo: outra tendência assemelhada ao pevecismo, acredita em coisas esquisitas como assistir jogos de futebol antes de comentá-los, falar com base em fatos e estatísticas, não criticar um jogador com base em simpatias pessoais… enfim, tendência estranha, e pouco difundida.
Claudiocarsughismo: mais uma tendência pouquíssimo difundida. Assemelha-se ao pevecismo, mas junta a ele mais experiência, e um olhar tático importado da Itália. Chega ao cúmulo de achar que defesa pode ganhar jogo.

