Entrevista com José Roberto Torero







José Roberto Torero nasceu em Santos, no distante ano de 1963. É formado em Letras e Jornalismo e quase formado em Cinema. É autor de treze livros (como “O Chalaça”), escreveu roteiros para cinema (como “Pequeno Dicionário Amoroso) e para tevê (“Retrato Falado”). Começou a escrever sua coluna de futebol na Folha em 1998.

Torero também publica o Blog do Torero onde comenta os principais acontecimentos do esporte e o Blog do Lelê, seu sobrinho fictício, iniciado durante a Copa do Mundo de 2006


 


Vamos a entrevista,


 


Torero, quando você sentiu que tinha vocação para escritor?


Não acredito muito nesta história de sentir vocação. Como disse um célebre jogador de futebol, “Eu fui indo, fui indo e cabei fondo.”
 
Qual sua obra mais pessoal? Por quê?


Acho que são o livro infantil ” Uma história de futebol” e o romance histórico ” Terra Papagalli”. Mas por motivos diferentes. No primeiro há um pouco de memória, e no segundo há um pouco do modo que vejo as coisas no Brasil.
 
Prefere escrever um livro ou um roteiro para cinema ou televisão?


O livro ganha fácil.
 
Teve algum fato ou pessoa que te inspirava para o personagem Chalaça?


O próprio Chalaça, é claro. E os seus descendentes, como PC Farias, Cláudio Humberto, Cláudio Vieira, José Dirceu…
 
Gostou da adaptação para a televisão na minissérie “Os Quintos dos Infernos”?


Não.
 
Tem planos mais ousados para o cinema?


Nem menos ousados. Ando pensando em só fazer livros por um bom tempo.
 
Quais seus próximos projetos?


Escrevi dois infantis, que agora estão sendo desenhados, e já estou na segunda versão de um livro para adultos. Mas não vou falar sobre este que dá azar.


Qual o escritor que mais te agrada?


Entre os vivos, o Luís Fernando Verissimo. Entre os mortos, Machado de Assis.
 
Qual livro você diria que é imperdível?


Memórias Póstumas de Brás Cubas.
 
Você começou a escrever sobre esportes em 1998 e parece ter se descoberto. Foi por acaso ou sempre quis escrever sobre o assunto?


Eu já havia escrito um pouco sobre esportes na minha coluna no Jornal da Tarde, onde fiquei de 94 a 97, na Placar, onde fui colaborador eventual, e em 87 era repórter de esportes na própria Folha.
 
Qual o seu maior momento como jornalista esportivo?


Acho que foi nas Olimpíadas de Sydney. Pelo menos foi o mais diferente.
 
Qual sua maior decepção desde que começou a comentar sobre esporte?


O final da Copa de 1998.
 
Qual a sua visão do atual momento do jornalismo esportivo do país?


Melhorou muito na última década. Ficou mais preciso, mais informado e informativo. Por outro lado, perdeu um pouco os grandes perfis que havia na época áurea da Placar.
 
O que você jamais faria como jornalista?


Jamais seria editor. Já tenho muitos cabelos brancos para o meu gosto.
 
Qual o jornalista que para você escreve melhor sobre esportes?


Tostão.
 
Qual o melhor narrador?


Milton Leite.
 
Melhor comentarista?


De TV? Casagrande.
 
Melhor programa esportivo?


Ainda acho que é o Grandes Momentos do Esporte, da TV Cultura.
 
O que existe de melhor na programação da televisão brasileira?


Certos programas especiais da Globo, como “Hoje é dia de Maria” e ” Auto da Compadecida”.
 
E de pior?


Os programas religiosos.
 
Qual o sistema que considera melhor para que o Brasil tenha maior desenvolvimento social e distribuição de renda mais justa?


O que mais me atrai é o anarquismo, mas não o substantivo que significa bagunça, e sim a teoria social e política que crê numa sociedade orgânica, sem estado centralizado. É bom deixar claro que o anarquismo não tem nada, mas nada mesmo, a ver com o neoliberalismo.
 
Qual o político que mais te decepcionou e qual o que te surpreendeu positivamente?


No quesito decepção, o Collor é imbatível. E olhe que não se esperava muito dele. Na outra ponta fica o Gabeira. E olhe que se esperava bastante dele.
 
Para você o que deu errado no governo Lula? E o que deu certo?


Deu errado no que se esperava de melhor, a parte social e nas decisões mais radicais, como o imposto sobre grandes riquezas. Deu certo onde menos se esperava, na política econômica conservadora.



 
Defina com apenas uma frase:



 
Chalaça: O primeiro livro a gente nunca esquece.
Cinema: Está virando diversão para adolescentes pouco inteligentes.
Escrever: Um belo jeito de ganhar a vida sem suar a camisa. Pelo menos quando o ar condicionado funciona, o que não é o caso agora, que estou suando em bicas.
Religião: Sou ateu praticante.
Futebol: Sou devoto do Santos.
Brasil: !?
Televisão:
Lula: Podia ser melhor.
Torero: Podia ser pior.


Torero, muito obrigado pela entrevista

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