Governador da Califórnia dá lição de humanidade ao mundo

O governador da Califórnia, Gavin Newsom, tomou uma decisão que merece aplausos: anunciou a substituição das penas de morte de 548 condenados por prisão perpétua, sem possibilidade de liberdade condicional.

A medida, que ainda depende de aprovação judicial em parte dos casos, representa um avanço civilizatório num país em que o Estado continua autorizado a matar.

Newsom não absolveu criminosos, tampouco ignorou a dor das vítimas e de seus familiares.

Apenas reconheceu que a Justiça não precisa reproduzir a barbárie que pretende combater.

A pena de morte é uma das maiores contradições da humanidade.

Para demonstrar que matar é errado, o Estado mata.

E faz isso de maneira premeditada, burocrática, com hora marcada, funcionários encarregados da execução e uma vítima que, muitas vezes, passou décadas aguardando o próprio fim.

É difícil imaginar tortura psicológica maior do que viver no corredor da morte, submetido à angústia permanente de saber que a própria existência será encerrada por determinação estatal.

Há ainda um componente aterrorizante: a Justiça é falível.

Inocentes podem ser condenados, provas podem ser manipuladas e preconceitos podem interferir nos julgamentos.

Uma prisão injusta, por mais cruel que seja, ainda pode ser reparada parcialmente.

Uma execução, jamais.

Não se trata de defender criminosos.

Mas nem mesmo o pior deles perde sua condição humana.

Newsom demonstrou coragem ao enfrentar uma prática que ainda encontra defensores numa sociedade frequentemente seduzida pela vingança.

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