Delação de Mansur assombra ex-presidentes do Corinthians e Osmar Stabile

A homologação da delação premiada de João Carlos Mansur, fundador da REAG Investimentos, pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, na sexta-feira (6), deve ter provocado apreensão entre os últimos presidentes do Corinthians.
Principalmente Duílio “do Bingo” Monteiro Alves, Augusto Melo e Osmar Stabile, responsáveis, em diferentes momentos, pela entrada, manutenção e posterior substituição da empresa que administrava os fundos relacionados à Arena de Itaquera.
Mansur apresentou 17 anexos à Procuradoria-Geral da República, detalhando operações financeiras suspeitas e a utilização de fundos para movimentar recursos relacionados ao Banco Master, de Daniel Vorcaro.
O empresário também é investigado no âmbito da Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro do PCC por meio de estruturas do mercado financeiro.
No Corinthians, os motivos para preocupação são numerosos.
A REAG chegou ao clube durante a presidência de Duílio, pelas mãos de Adriano Monteiro Alves, irmão do mandatário.
Em outubro de 2021, foi criado o FIP SCCP, fundo que passou a integrar a estrutura financeira do estádio.
Em 2023, com a concordância do Corinthians, a REAG assumiu também a administração e a gestão do Arena Fundo.
A partir daí, conforme documentos revelados pelo Blog do Paulinho, acumularam-se demonstrações financeiras sem auditoria regular, aplicações em fundos ligados à própria REAG, questionamentos sobre a independência dos auditores e o desaparecimento, dos informes, de aproximadamente R$ 100 milhões anteriormente registrados como valores devidos pelo clube.
As gestões de Augusto Melo e Osmar Stabile mantiveram a estrutura, mesmo após a divulgação das investigações envolvendo a empresa.
Em abril de 2026, durante a administração Stabile, a substituição da REAG foi acompanhada de uma decisão particularmente controversa.
Os cotistas do Arena Fundo, entre eles o Corinthians, aprovaram os atos da gestão anterior e concederam quitação ampla, geral, irrevogável e irretratável aos responsáveis, inclusive sobre fatos eventualmente desconhecidos.
Tudo isso apesar das pendências de auditoria.
A operação foi formalizada em assembleia conduzida pela CBSF, nova denominação da REAG DTVM, com o mesmo CNPJ, e contou com a assinatura de Mansur.
Posteriormente, a administração fiduciária passou à Genial e a gestão à Asarock, empresa formada por profissionais oriundos do ambiente da antiga gestora.
Quem eventualmente se beneficiou dessas operações?
Mansur, que conhecia os mecanismos financeiros utilizados pela REAG, poderá contribuir para esclarecer essas questões, caso sua colaboração alcance os negócios relacionados ao Corinthians.

