O dinheiro de Flávio Bolsonaro

Flávio Bolsonaro iniciou sua carreira política em 2003, aos 21 anos, como deputado estadual do Rio de Janeiro.
Em 2006, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de aproximadamente R$ 385 mil.
Em 2010, os bens informados somavam R$ 690,9 mil.
Em 2014, R$ 714,4 mil.
Na eleição municipal de 2016, apresentou R$ 1,45 milhão.
Em 2018, quando conquistou uma cadeira no Senado, declarou R$ 1,74 milhão.
Agora, em 2026, informou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) possuir R$ 8.186.555,83.
O aumento nominal desde 2018 é de R$ 6,44 milhões.
Considerada a inflação, o crescimento patrimonial foi de aproximadamente 211%.
Essa trajetória financeira já esteve sob investigação das autoridades.
Em agosto de 2019, o UOL revelou a existência de um inquérito da Polícia Federal, instaurado no primeiro semestre de 2018, para apurar possíveis crimes eleitorais e lavagem de dinheiro relacionados às transações imobiliárias de Flávio.
Segundo a reportagem, a PF considerava que os negócios haviam proporcionado aumento patrimonial substancial, com valores suspeitos de incompatibilidade com seus rendimentos.
O Ministério Público do Rio de Janeiro também examinou as operações.
Segundo o MP-RJ, Flávio havia adquirido 19 imóveis, entre salas comerciais e apartamentos, envolvendo R$ 9,425 milhões entre 2010 e 2017.
As operações teriam produzido ganhos de R$ 3,089 milhões.
Os investigadores suspeitavam que determinados negócios haviam sido realizados com valores artificialmente reduzidos nas compras e elevados nas vendas, criando ganhos de capital que poderiam ocultar recursos de outras origens.
Dois exemplos chamaram a atenção.
Em novembro de 2012, Flávio adquiriu um apartamento na Avenida Prado Júnior, em Copacabana, por R$ 140 mil.
Quinze meses depois, vendeu o imóvel por R$ 550 mil.
A diferença bruta entre compra e venda foi de R$ 410 mil, equivalente a aproximadamente 293% do preço de aquisição.
Segundo os promotores, o índice FipeZap registrou valorização imobiliária de cerca de 11% no bairro durante o intervalo.
Outra operação ocorreu na Rua Barata Ribeiro, também em Copacabana.
O imóvel foi adquirido por R$ 170 mil, em novembro de 2012, e vendido por R$ 573 mil aproximadamente um ano depois.
A diferença bruta foi de R$ 403 mil, ou 237% do preço de compra.
Naquele período, segundo os dados citados pelo MP-RJ, a valorização imobiliária local não ultrapassou 9%.
Outra operação examinada foi a venda de dez salas comerciais na Barra da Tijuca.
De acordo com a documentação, os imóveis foram adquiridos entre dezembro de 2008 e setembro de 2010 por R$ 2,662 milhões.
Em outubro de 2010, foram vendidos por R$ 3,167 milhões.
A diferença bruta foi de aproximadamente R$ 505 mil.
O Ministério Público também apontou vínculos societários internacionais entre os compradores, circunstância incorporada à investigação das transações.
Anos depois, outra operação passou a concentrar as atenções: a aquisição de uma mansão no Lago Sul, em Brasília.
Comprado em 2021 por aproximadamente R$ 5,97 milhões, o imóvel contou com financiamento de R$ 3,1 milhões concedido pelo Banco de Brasília (BRB) – hoje ligado a negócios de Daniel Vorcaro.
Documentos examinados pela Folha de S.Paulo mostraram que Flávio informou ao banco renda pessoal mensal de R$ 56.833,51.
Desse montante, R$ 24.934,81 provinham da atividade parlamentar, R$ 28.525,83 de uma franquia de chocolates, que, estranhamente, não realizava negócios no período de Páscoa, e R$ 3.372,87 de aplicações financeiras.
A renda presumida da esposa, Fernanda Bolsonaro, acrescentava R$ 8.650.
O casal apresentava, assim, renda mensal conjunta de R$ 65.483,51 nos documentos posteriormente analisados pela reportagem.
A primeira prestação do financiamento foi estabelecida em R$ 18.744,16.
O contrato tinha prazo de 30 anos.
Entretanto, a dívida acabou quitada em aproximadamente três anos.
Segundo documentos divulgados pelo Estadão e pela Folha, Flávio realizou seis pagamentos extraordinários, entre novembro de 2022 e março de 2024, que somaram cerca de R$ 3,4 milhões.
Somente em janeiro de 2023, foi realizado um pagamento de aproximadamente R$ 997 mil.
Em novembro de 2022, houve outros dois pagamentos, próximos de R$ 698 mil e R$ 697 mil.
A quitação antecipada torna relevante a identificação da origem dos recursos empregados nas amortizações.
Flávio afirmou que o dinheiro decorreu de suas atividades como parlamentar, empresário e advogado.
As investigações anteriores sobre as chamadas rachadinhas também precisam ser consideradas.
O conjunto de informações demonstra que a evolução patrimonial de Flávio Bolsonaro motivou suspeitas formais de incompatibilidade com seus rendimentos, registradas em investigações policiais e do Ministério Público.
Agora, além das suspeitas já conhecidas sobre a movimentação de dinheiro de origem não esclarecida, possivelmente distribuído em nome de ‘laranjas’, surgem informações sobre a utilização de novas empresas de fachada, como a que teria sido empregada pelo ‘irmão’ Vorcaro para fazer chegar à família Bolsonaro o dinheiro que lhe teria sido implorado.


Paulinho tem até dia 25 pra tentar virar votos, vai nessa que um dia você consegue
Tariflávio corrupto bolsomaster $$$