A ciranda não explicada do candidato Flávio Bolsonaro

Da FOLHA

Por ADRIANA FERNANDES

  • Fatos têm desmontado versões apresentadas pelo candidato do PL sobre a sua relação com Vorcaro e o filme ‘Dark Horse’
  • Perguntas precisam ser respondidas, já que ele é investigado formalmente

Flávio Bolsonaro negou encontros, viagens e recursos recebidos de Daniel Vorcaro. Aí vêm os fatos e desmontam as imposturas do candidato do PL à cadeira de presidente da República nas eleições deste ano.

A mais recente delas foi a revelação, pela revista Piauí, de que o senador viajou da Flórida para Brasília em janeiro de 2025 em um jato executivo que tinha entre os cotistas Vorcaro e Willer Tomaz.

O primeiro é o maior fraudador do sistema bancário brasileiro. Já o segundo é alvo da Polícia Federal em investigação sobre fraudes contra aposentados do INSS.

Willer é amigo de Flávio, que tem como vice na chapa o deputado Alfredo Gaspar, que, por sua vez, foi relator da CPMI do INSS.

À época, a escolha de relator foi feita em uma articulação feita durante a madrugada e contou com o apoio de Rogério Marinho, hoje coordenador político da campanha do PL ao Palácio do Planalto.

Ao assumir a presidência da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana contrariou o pacto original da cúpula do Congresso e designou diretamente Alfredo Gaspar para a relatoria.

Como relator, o hoje “vice-surpresa” da chapa do PL sabia que um dos alvos das investigações das fraudes contra os aposentados era amigo de Flávio.

Por ironia do destino, o avião de Vorcaro e Willer é o mesmo do qual o ministro do STF Alexandre de Moraes foi filmado desembarcando com a mulher em agosto do mesmo ano.

Descoberta a viagem, Flávio dobrou a aposta na amizade com Willer e ironizou: “Ainda bem que na época o avião era de Willer. Imagina se fosse agora, eu teria viajado no avião de Alexandre de Moraes.”

A viagem coincidiu com as negociações para que Vorcaro financiasse o filme “Dark Horse“.

O senador ainda não apresentou documentos detalhados sobre como o dinheiro foi aplicado no filme.

Ele é protegido por um modelo de campanha feito pelas redes sociais, sem o confronto direto com perguntas incômodas de jornalistas.

A poucos dias das eleições, há uma ciranda de perguntas sem respostas. Elas precisam ser respondidas, porque Flávio é hoje um candidato investigado.

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