A correta expulsão de Casares

O Conselho Deliberativo do São Paulo, por 224 votos favoráveis, apenas dois contrários e cinco abstenções, aprovou a recomendação unânime da Comissão de Ética e expulsou Julio Casares do quadro associativo do clube.
Foi uma decisão correta.
E tardia.
O São Paulo não precisava aguardar eventual condenação criminal para concluir que o comportamento do ex-presidente era incompatível com a permanência no quadro associativo.
Há enorme diferença entre condenar alguém por crime — o que cabe ao Poder Judiciário — e avaliar, dentro das regras de uma associação privada, se um dirigente administrou corretamente o patrimônio que lhe foi confiado.
Neste segundo quesito, o cenário é devastador.
A Comissão de Ética levou em consideração aproximadamente R$ 7 milhões em saques das contas do clube sem comprovação de origem, finalidade e destino.
Também pesou o uso do cartão corporativo.
Casares gastou mais de R$ 1 milhão com o cartão do São Paulo entre 2021 e 2025.
Entre as despesas reveladas estavam restaurantes, charutaria, lojas de grife, salões de beleza, medicamentos, despesas médicas e até petshops.
O próprio ex-presidente admitiu despesas particulares, embora sustente ter realizado os devidos ressarcimentos.
A documentação divulgada indica que apenas R$ 560,4 mil foram devolvidos ao clube em novembro de 2025.
O Blog do Paulinho alertava sobre Casares há muitos anos.
Em dezembro de 2020, antes mesmo de sua posse, questionávamos como seria administrada a enorme redução de rendimentos de um executivo que deixava a Record para assumir a presidência do São Paulo, cobrando transparência justamente para evitar que dúvidas futuras fossem levantadas.
Em fevereiro de 2021, já no início da gestão, denunciamos a transformação do departamento de futebol num verdadeiro balcão de negócios, com empresários circulando e influenciando decisões que deveriam pertencer exclusivamente ao clube.
Mostramos, em setembro de 2025, a comercialização de pacotes de ingressos pela facção ‘Independente’ e questionamos de onde partia a facilitação que permitia à organizada operar dessa maneira.
Depois, a situação explodiu.
O São Paulo passou a conviver com investigação sobre exploração clandestina de camarotes, envolvendo pessoas extremamente próximas de Casares.
A Polícia Civil apontou uma estrutura que teria atuado na apropriação e comercialização irregular desses espaços e ingressos.
Agora, finalmente, o São Paulo encerrou corretamente o capítulo associativo dessa história.
Há muito ainda, porém, a ser reparado.
Além da expulsão, o Conselho aprovou o ressarcimento integral dos valores que vierem a ser considerados devidos, montante que deverá ser calculado pelo Departamento Financeiro e submetido ao Conselho Fiscal.

