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Ameaça norte-coreana

EDITORIAL DA FOLHA

Híbrido arcaico e bizarro de ditadura stalinista e dinastia familiar, o regime da Coreia do Norte é hoje, ao lado do terrorismo, a maior ameaça à segurança internacional.

Sob a liderança de Kim Jong-un, o país vem desenvolvendo um programa nuclear para a fabricação de ogivas atômicas e o desenvolvimento de mísseis de médio e longo alcance, capazes de atingir, além dos vizinhos Coreia do Sul e Japão, o território norte-americano.

Em que pesem as pressões internacionais lideradas pelo governo dos EUA, os testes com artefatos nucleares prosseguem em seguidas demonstrações de irresponsabilidade e provocação. É como se o líder local, tomado por algum tipo de demência, não conseguisse discernir entre realidade e delírio, repetindo a caricatura clássica de ditadores embriagados pelo poder.

“Esse cara não tem nada melhor para fazer da vida?”, perguntou o presidente americano, Donald Trump, numa rede social, logo depois do maisrecentebélico de Kim Jong-un, no início da semana passada -quando os norte-coreanos testaram um míssil que supostamente poderia alcançar “qualquer lugar do mundo”.

Há dúvidas, porém, sobre a efetiva capacidade de o país lançar, neste momento, ogivas à longa distância. Segundo especialistas, há grande diferença entre o teste realizado pela Coreia do Norte e o domínio da capacidade de usar mísseis balísticos em situações reais.

A questão que se apresenta ao mundo é como evitar que aquele país venha a desenvolver tal perícia. Embora o fantasma de um conflito armado ronde as relações entre Washington e Pyongyang, é pouco provável que os EUA façam algum movimento nesse sentido.

Um ataque norte-americano certamente provocaria reações extremadas e violentas, com consequências imprevisíveis.

O caminho a ser trilhado é o da pressão diplomática -e sobretudo comercial. Os EUA têm constrangido governo e empresas da China a interromper negócios com a Coreia do Norte. Os chineses, além da influência como potência regional, são os principais parceiros econômicos dos norte-coreanos.

Isso não significa, contudo, que os EUA e seus aliados devam abandonar o terreno militar. Exercícios conjuntos com vistas a demonstrar forças e a instalação de sistemas antimísseis na Coreia do Sul e no Japão se fazem necessários. São parte das ações que estão ao alcance do Ocidente para tentar conter a saga nuclear de Kim Jong-un e seu reino de tempos remotos.

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