Sócio de Andres Sanchez é membro do CAS da SAFIEL

A SAFIEL anunciou a formação de um Comitê de Acompanhamento (CAS), apresentado como órgão independente para acompanhar a tramitação da proposta não vinculante encaminhada ao Corinthians.

Faltou, novamente, cuidado na avaliação das biografias.

Há algum tempo, o controverso Maurício Chamati, que fez fortuna no mercado de criptomoedas e possui histórico de financiamento de campanhas eleitorais no Corinthians — de Andrés Sanchez a Augusto Melo —, um dos três principais nomes da SAFIEL, passou a ser escondido pelo grupo, assim como sua parente, a ex-vereadora Miriam Athiê, condenada sob acusação de receber propina do setor de transportes.

Se do primeiro, cofundador do projeto, é difícil se desvincular, da conselheira alvinegra faltou o mínimo de diligência para perceber que a marca não poderia ser a ela associada, sob o risco — como ocorreu — de comprometer sua credibilidade.

O mesmo acontece agora.

Um dos membros do CAS é o agente de jogadores Marcelo Djian, notório preposto — e sócio — de Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians, em atuação conjunta com o controverso André Campoi.

Os demais integrantes são: Marília Ruiz, jornalista; Rogério Maldonado, o “Bambu”, ex-presidente da torcida organizada Estopim da Fiel; Sérgio Rebollo, publicitário, curador e administrador, neto do artista plástico e ex-jogador do Corinthians Francisco Rebolo, além de presidente do Instituto Rebolo; Carlos Teixeira; e Eduardo Salusse, dois dos três idealizadores da SAFIEL.

Todos os atletas agenciados por Sanchez eram registrados em nome de Djian — na verdade, Marcelo Kiremitdjian, nome de batismo do intermediário.

A partir dele, o cartola realizava a ponte com Giuliano Bertolucci e Kia Joorabchian.

Na gestão Alberto Dualib, Marcelo possuía, no mínimo, 14 jogadores nas categorias de base do Parque São Jorge.

A atuação evoluiu para o futebol profissional após a eleição de Andrés Sanchez, envolvendo atletas como Coelho, Fabinho, Jô e Eduardo Ratinho, contratado no Goiás em parceria com Olivério Júnior, assessor do então presidente.

Os contratos desses jogadores com Djian eram redigidos por Luis Felipe Santoro, irmão do presidenciável Rozallah Santoro, que permanece como advogado do Corinthians desde os tempos da Renovação e Transparência.

Recentemente, o agente esteve no Cruzeiro, onde atuou ao lado do grupo formado por Itair Machado, Ângelo Pimentel, Wagner Pires de Sá e demais dirigentes de uma gestão que, assim como ocorreu no Corinthians, transformou-se em caso de polícia.


MK DJIAN Ltda

Desde 28 de junho de 2001, a MK Djian Ltda., constituída em nome de Marcelo Kiremitdjian e rebatizada, em 26 de junho de 2003, como MK Djian Esportes Ltda., é a empresa criada pelo agente para realizar negócios ligados ao Corinthians.

A empresa permanece ativa.

Com o passar do tempo, seu horizonte de atuação foi ampliado.

O objeto social é claro:

“(…) agenciamento de profissionais para atividades esportivas, culturais e artísticas.”


Confira, em reportagem da Folha (link abaixo), uma negociação controversa envolvendo Marcelo Djian, como preposto de Andrés Sanchez, em 2008, quando este já presidia o Corinthians:

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/esporte/fk1411200802.htm

“Kritzer pelo menos mostrou Zelão aos russos. Mais do que fez o empresário Marcelo Djian no caso da contratação de Fabinho, de acordo com o próprio jogador.”

“Não houve pagamento por direitos (foi empréstimo do Toulouse). Mesmo assim, o agente ficou com R$ 135 mil, por ser o empresário do volante, segundo o Corinthians.”

“Negociei direto com o presidente [Andres Sanchez]“, disse Fabinho, negando participação de Djian na sua liberação.

“Às vezes o time quer um jogador, mas precisa da ajuda do empresário”, defendeu Djian, que disse ter recebido o equivalente a um salário do atleta.

“O problema é que, pela legislação da FIFA, o cliente do agente — Fabinho — é quem deveria pagá-lo. Se o Corinthians remunerá-lo, precisa de consentimento por escrito do atleta.”

“Sem acordo entre jogador e agente, só deve ser pago o equivalente a 3% do salário anual ao representante. O pagamento a Djian foi de cerca de 10% desse total.”

“Fabinho era ex-atleta do clube e conhecia os dirigentes. No escritório de Djian trabalhou André Campoi, que integrava a divisão de base corintiana na gestão de Alberto Dualib, quando Andrés fazia parte da diretoria.”


Documentário flagrou atuação de Marcelo Djian na base do Corinthians

Em 2009, o documentário Pequena Área – O Difícil Caminho até o Estrelato no Futebol, dirigido por Daniel Carmona, registrou uma conversa entre Adailton Ladeira, treinador da equipe sub-20 do Corinthians, e Flamarion Nunes, da Ponte Preta.

Aparentemente sem perceberem que estavam sendo gravados, ambos trataram do funcionamento dos esquemas da base alvinegra.

Na gravação, o treinador corintiano afirma que os jogadores eram direcionados a Wagner Ribeiro e Marcelo Djian e, por meio deles, ao mercado internacional.


Os contratos de Coelho registrados na CBF em que Marcelo Djian aparece como preposto de Andres Sanchez 

Contrato de empréstimo de Coelho (2007)


Contrato de empréstimo de Coelho (2008)


Se a proposta da SAFIEL é passível de debate, e o Corinthians deveria discuti-la, não há justificativa, a custo da credibilidade, para a presença, em sua linha de frente, de um empresário cercado por controvérsias no mercado de criptomoedas — que financiou campanhas de Andrés Sanchez e Augusto Melo quando ambos já acumulavam histórico conhecido —, de uma ex-vereadora ligada a Celso Pitta e condenada por corrupção, além de um agente de jogadores historicamente associado aos bastidores mais obscuros do futebol.

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