O tamanho exato de Messi

Lionel Messi, o gênio argentino, encerrou sua participação em Copas do Mundo carregando um grupo limitado de jogadores argentinos ao vice-campeonato mundial.
Foram atuações inesquecíveis, apesar do peso de seus 39 anos.
O choro ao final da partida derradeira parecia muito mais motivado pela saudade antecipada de vestir a camisa da seleção, do carinho do público e da despedida dos Mundiais do que propriamente pela decepção da derrota — que existia, por óbvio, mas era o desfecho mais provável diante de um adversário tecnicamente superior.
Messi é o maior jogador que pisou em um gramado de futebol depois de Pelé.
Superior a Maradona.
A comparação com Pelé é amparada em fatos, observáveis no material cinematográfico que restou de sua carreira e, na ausência desses registros, no testemunho de milhares de pessoas, não apenas brasileiras, que, em sua imensa maioria, escolhem o Rei quando questionadas sobre quem foi o maior.
Quem viu ambos em campo dificilmente tem dúvidas.
Para colocá-lo à frente de Maradona, nem é necessária tanta referência.
Este jornalista acompanhou a carreira dos dois.
Talvez Maradona fosse, plasticamente, mais bonito de se ver jogar.
Messi, porém, além de encantar, era mais decisivo, mais constante e, no conjunto da obra, mais genial.
Nenhum jogador no planeta manteve-se no auge por tanto tempo.
E Garrincha?
É uma excelente discussão.
O ponta brasileiro talvez tenha sido o jogador mais habilidoso da história, dono também de uma capacidade técnica extraordinária, a ponto de praticamente decidir sozinho uma Copa do Mundo, como ocorreu em 1962.
A longevidade de Messi, porém, o coloca à frente de Garrincha no contexto geral do futebol.
O argentino foi melhor por muito mais tempo, circunstância que lhe assegura a segunda colocação na história e desloca Maradona para a quarta, ao menos pelos critérios adotados neste texto, que também levam em consideração, no caso de Mané, os relatos daqueles que tiveram o privilégio de vê-lo atuar.
Messi deixa as Copas do Mundo ampliando ainda mais o seu legado de lenda.
Resta-lhe, no entanto, um último objetivo: alcançar o milésimo gol na carreira, marca que, provavelmente, será atingida ao longo de 2027.
Pelé chegou a esse feito aos 29 anos.
O gênio argentino, ao que tudo indica, o alcançará aos 40.
Também esse detalhe ajuda a estabelecer a hierarquia entre ambos.
Mais importante do que saber quem foi melhor é a lembrança e o afeto de cada torcedor por aquele que ocupa sua preferência pessoal, forjada nas emoções vividas em momentos que permanecerão para sempre na memória.

