A defesa do ex-presidente acusado de desviar dinheiro do Corinthians

Duílio ‘do Bingo’ Monteiro Alves, ex-presidente do Corinthians, réu por apropriação indébita de recursos do clube mediante o uso de cartão corporativo, apresentou sua resposta à acusação à 15ª Vara Criminal da Barra Funda.
A manifestação ocorreu somente após ter sido citado por edital – o que é uma vergonha.
Na peça, a defesa sustenta que a denúncia do Ministério Público distorce os fatos ao tratar como despesas pessoais a totalidade de R$ 41.822,62 lançados no cartão corporativo entre 2021 e 2023.
Segundo Duílio, a maior parte dos gastos estava relacionada ao exercício da presidência do Corinthians, citando despesas de R$ 443,33 em Belo Horizonte, durante a partida contra o América-MG; R$ 2.222,00 em Recife, na viagem para Sport x Corinthians; R$ 2.074,68 no restaurante Fogo de Chão, em São Paulo, para recepção da nova comissão técnica portuguesa; R$ 832,87 no Windsor Marapendi, no Rio de Janeiro, em reunião na CBF sobre a criação da Liga; R$ 2.723,84 no restaurante Fratelli, durante Botafogo x Corinthians; R$ 5.119,79 em uma loja Duty Free, em Buenos Aires, valor que afirma corresponder à compra de uma caixa de som destinada ao Centro de Treinamento durante a viagem para Boca Juniors x Corinthians, pela Libertadores; R$ 957,71 no Rio Brasa, durante o sorteio da final da Copa do Brasil; R$ 474,64 em despesas na decisão da Copa do Brasil contra o Flamengo; R$ 382,69 em Fortaleza, na partida contra o Fortaleza; e R$ 5.799,86 na Fazenda Churrascada, em Brasília, em encontro com representantes da Presidência da República e da Caixa Econômica Federal.
Duílio esqueceu, porém, de esclarecer a compra do remedinho, normalmente na coloração azul, para ressuscitar o falecido.
A defesa afirma ainda que, das 36 faturas do cartão corporativo no triênio, 12 não registraram qualquer lançamento, o que afastaria a tese de uso habitual do cartão para despesas particulares.
Sustenta também que apenas quatro despesas seriam efetivamente pessoais, decorrentes de “equívocos operacionais”, totalizando R$ 1.868,77, valor que, segundo Duílio, foi comunicado ao clube para regularização.
Argumenta, ainda, que as contas de sua gestão foram aprovadas sem ressalvas pelo Conselho Deliberativo após auditoria independente e aponta uma suposta inconsistência na denúncia, que em determinado trecho menciona “Andrés” em vez de Duílio, para defender a rejeição da ação penal ou, subsidiariamente, sua absolvição sumária.
A Justiça, em breve, deverá se pronunciar.

