O advogado do Presidente, o Conselho Fiscal e a falência moral do Corinthians

Em trâmite inédito na história do clube, o CORI, presidido pelo desfrutável Miguel Marques e Silva, aprovou as contas do Corinthians sem o parecer do Conselho Fiscal, que somente ontem apresentou manifestação sobre o balanço.

Ambos, alinhados ao presidente Osmar Stabile, apesar das evidentes falcatruas contábeis presentes no documento, recomendaram a aprovação.

O caso do Conselho Fiscal é ainda mais grave, pois se deu em flagrante ilegalidade.

Haroldo Dantas, Paulo Pimentel , Claudio Senise e Josué Lopes no CF do Corinthians

Haroldo Dantas, que assinou como presidente, estava afastado do cargo desde 9 de abril por decisão da Comissão de Ética.

Não poderia, portanto, participar dos trabalhos.

Detalhe: por motivação do próprio CORI, que, talvez para evitar constrangimento, subverteu a pauta histórica.

Ou Miguel Marques seria dissimulado o suficiente para aprovar um parecer rubricado por alguém sem cargo, a pedido de seu próprio punho?

Até para esse tipo de atuação política deve haver algum limite.

Por que Haroldo estava afastado?

Conflito de interesses.

O bacharel é advogado pessoal e também das empresas do presidente — chegando a atuar em casos extremamente íntimos, como o da sobrinha do dirigente, que morava em sua casa e foi condenada por torturar o próprio filho, cumprindo pena em Tremembé, onde recebeu visitas conjuntas de Haroldo e Osmar em, ao menos, duas oportunidades.


Relembre o caso:

Presidente do Conselho Fiscal é advogado familiar do presidente do Corinthians (com provas) –


Ou seja: ainda que pudesse exercer a função de conselheiro fiscal, a participação de alguém que depende financeiramente do fiscalizado para sobreviver seria, por óbvio, imoral; da forma como ocorreu, porém, torna-se também ilegal.

Se o CORI fosse decente — e, em regra, demonstra não ser —, reformaria a decisão de aprovação por grave afronta à legislação.

Não ocorrendo, caberá aos demais conselheiros, na votação da próxima segunda-feira, escolher entre agir dentro da legalidade ou se juntar aos porcos e, com eles, arcar com as consequências pessoais da decisão.

Nem falaremos sobre as investigações que cercam Haroldo na Polícia de São Paulo — que o ligam a negócios realizados com empresa vinculada ao PCC — porque há, no Conselho alvinegro, quem simplesmente não se importe.

Gente que, apesar de magistrada, bebeu da mesma ‘água’ — nem sempre ‘santa’.

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