Corinthians: fraude no balanço e empréstimos escondidos

Em fevereiro de 2026, há apenas dois meses, o Corinthians tomou emprestado R$ 76.878.105,68, fruto da antecipação de pagamentos de dois patrocinadores: Esportes da Sorte (R$ 46.978.743,15) e Nike (R$ 23.750.000,00).

Ninguém sabia.

Conselheiros foram ignorados, assim como torcedores e associados.

Osmar Stabile preferiu esconder a informação de que ampliava ainda mais a dívida do clube, com efeitos potencialmente graves para o próximo presidente — especialmente às vésperas da votação das contas, que ocorrerá nos próximos dias, novamente sob um balanço maquiado.

A dívida de 2025 foi calculada com base em desconto governamental decorrente de acordo firmado apenas em 2026, o que gerou redução indevida — pois deveria ser contabilizada no período correto — de R$ 217,428 milhões.

Trata-se de fraude.

Caberá agora aos órgãos reguladores do Corinthians escolher se serão coniventes ou combatentes diante desse quadro de ilegalidade.

Voltando aos empréstimos, ontem, em cumprimento de decisão judicial, o perito Oreste Nestor de Souza Laspro juntou aos autos do processo que trata da RCE alvinegra — mecanismo de parcelamento das dívidas — um parecer sobre as contas de março de 2026, em razão de divergências identificadas em recente prestação de contas do Corinthians à Justiça.

Revelou-se, então, o que Stabile tentou esconder:

“II.2. Rastreio de Operações Financeiras (R$ 76,8 milhões)

Ao reexaminarmos os dados à luz do conjunto documental ora disponibilizado (composto por balanço, balancete, extratos bancários e contratos), foi possível realizar uma análise integrada e mais robusta das informações, permitindo o adequado lastreamento das movimentações financeiras.

Nesse contexto, a análise conjunta da planilha de fluxo de caixa, dos extratos bancários e do balancete patrimonial evidenciou que o montante de R$ 76.878.105,68, classificado como “Operações Financeiras” no mês de fevereiro de 2026, decorreu do ingresso de recursos oriundos de operações de crédito, antecipações e movimentações financeiras, não se caracterizando como receita operacional, em razão de sua natureza de empréstimo e do regime de competência.

Dentre os principais componentes, destaca-se a antecipação vinculada à Esportes da Sorte (EDS), no valor de R$ 46.978.743,15, registrada no fluxo de caixa em 27/02/2026, com correspondente ingresso identificado no extrato bancário do Santander, ainda que com diferenças decorrentes de retenções financeiras inerentes à operação.

Soma-se a isso o adiantamento contratado junto ao Banco Daycoval (adiantamento Nike), no valor de R$ 23.750.000,00, devidamente refletido no fluxo de caixa e corroborado pelo aumento do passivo no balancete, evidenciando sua natureza de endividamento e reforçando a adequada classificação desses valores como operações financeiras.”

Fluxo de caixa do Corinthians (fevereiro de 2026)


O Corinthians de Stabile segue o padrão da “Renovação e Transparência” de gestão, com os mesmos hábitos, personagens e grupos — como o chamado “Centrão” — avalizando a má gestão e fechando os olhos para diversos descalabros, muitos dos quais, como este, ocorreram sob silêncio combinado, com o objetivo de evitar que o projeto de poder seja afetado pela realidade.

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