Por que o Corinthians não assinou a Ata da reunião do Arena Fundo?

Ontem, o Blog do Paulinho revelou que o Corinthians manteve a mesma estrutura da REAG/PCC — entre dirigentes e funcionários — ao substituir a antiga administradora do Arena Fundo FII, responsável pelas contas do estádio de Itaquera, pelas suspeitas Asarock e Genial.
Detalhes podem ser relembrados no link abaixo:
Corinthians mantém estrutura da REAG/PCC em ‘troca’ de gestão do Arena Fundo –
Ao analisar a ata da Assembleia de Cotistas que formalizou a mudança, saltam aos olhos indícios de ausência dos principais envolvidos na reunião.
Corinthians, Arena Itaquera S/A e SPE UPI Arena S/A.
No item nº 2 da ata, consta a indicação de presença dos cotistas:
CONVOCAÇÃO: Convocação dispensada em razão do comparecimento da totalidade dos cotistas do Fundo, nos termos do artigo 72, §7º, da Parte Geral da Resolução da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) nº 175, de 23 de dezembro de 2022 (“RCVM 175”).
No item nº 4, também:
PRESENÇA: Presentes (i) o representante legal da Administradora; (ii) o representante legal da CBSF Trust Administradora de Recursos Ltda., inscrita no CNPJ nº 23.863.529/0001-34, com sede na Avenida Brigadeiro Faria Lima, nº 2.277, 17º andar, conjunto 1.702 (parte), Jardim Paulistano, São Paulo/SP, devidamente autorizada pela CVM, por meio do Ato Declaratório nº 15.170, de 12 de agosto de 2016 (“Gestora”); (iii) os representantes legais da Genial Investimentos Corretora de Valores Mobiliários S.A., inscrita no CNPJ nº 27.652.684/0001-62, autorizada pela CVM como administradora fiduciária, nos termos do Ato Declaratório nº 6.819, de 17 de maio de 2002, com sede na Praia de Botafogo, nº 228, sala 913, Rio de Janeiro/RJ (“Nova Administradora”); (iv) os representantes legais da Asarock Asset Management Ltda., inscrita no CNPJ nº 48.352.277/0001-00, com sede na Avenida Horácio Lafer, nº 160, conjunto 12, Itaim Bibi, São Paulo/SP, autorizada pela CVM como gestora de recursos, conforme Ato Declaratório nº 20.523, de 19 de janeiro de 2023 (“Nova Gestora”); e (v) cotistas titulares de 100% das cotas emitidas pelo Fundo (“Cotistas”).
Porém, Corinthians e demais “associados”, embora declarados como presentes, não figuram entre os signatários do documento.
Muito estranho.
Em meio a assinaturas controversas — como a de João Carlos Mansur, pela CBSF (ex-REAG) — há apenas uma rubrica de conferência posterior com as letras “PS”, que sugerem tratar-se de Pedro Soares, diretor jurídico alvinegro, ainda assim sem qualquer identificação formal ou carimbo do clube.
Não há dúvida da anuência do Corinthians ao acordo, formalizada tacitamente na nota oficial de apresentação dos novos “parceiros”, no visto do advogado e em reuniões ocorridas em ambientes “extra-campo” com as empresas — até porque eram as mesmas, apenas com roupagem diferente.
Evidencia-se, porém, o descaso na oficialização.
Tratava-se, simplesmente, de uma das reuniões mais importantes da gestão Osmar Stabile, que definiu a permanência de empresas suspeitas cuidando do principal patrimônio imobiliário do clube, além de ratificar contabilidades sem o menor lastro de credibilidade.
A aparência é a de que o aval exclusivo de Pedro Soares serviria, politicamente, para que, em caso de problemas, o restante da diretoria construísse a narrativa de que delegou atribuições e teria sido induzido ao erro pelo diretor.
Não vai colar.

